Entre tubos de ensaio, pesquisas laboratoriais e a busca por inovações, o profissional de química está com a carreira em plena expansão. No Paraná, segundo o Conselho Regional de Química (CRQ) da 9 Região, existem mais de 50 instituições de ensino que oferecem cursos técnicos e universitários relacionados à profissão. Novos profissionais que vão suprir a demanda do mercado de trabalho da região e de outros Estados, nas mais diversas áreas de atuação.
O professor Milton Faccione, do Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e membro do CRQ, explica que um bacharel em química recém-formado, por exemplo, não tem grandes dificuldades para ingressar no mercado. ''Em nossa região, a necessidade é de profissionais que atuem de forma ampla. São indústrias de tinta, fertilizantes, açúcar e álcool e as que querem lidar melhor com os resíduos da produção. Todas elas necessitam do trabalho básico do químico'', relata o professor, que diz ainda que o piso salarial da profissão é de seis salários mínimos - cerca de R$ 2.790 - por 40 horas de trabalho. Outra alternativa é a licenciatura, graduação que habilita o profissional a dar aulas nos ensinos Fundamental e Médio.
Os cursos técnicos, tanto para Ensino Médio quanto para o superior, permitem a atuação em áreas específicas. Faccione aponta a existência de mais de cem profissionais de química com formações distintas. ''Temos hoje técnicos em curtume, vinho, metalurgia, laticínios e muitos outros. O único problema é que essas especializações podem acabar restringindo um pouco o profissional'', analisa.
Mas o mercado de trabalho do químico não se reduz apenas às indústrias e às salas de aula. Uma boa escolha é concorrer a vagas em concursos públicos. Nascido em Cambé, o químico de petróleo Armando Mateus Pomini, 27 anos, se formou na Universidade Estadual de Londrina há cinco anos e resolveu continuar os estudos com mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Em 2006, o rapaz prestou um concurso da Petrobras e foi convocado pela empresa dois anos depois, conquistando seu primeiro emprego pouco antes do término do doutorado. ''Não é fácil passar em um concurso público. Realizei muitas tentativas ao longo da pós-graduação e felizmente consegui boas oportunidades. No caso da Petrobras, foram 3.500 químicos concorrendo para 20 vagas'', comenta Pomini, que tem seu último trabalho na empresa relacionado à plataforma P-50, a mesma que deu ao Brasil a autossuficiência na produção de petróleo.
O químico ainda salienta que a opção de realizar mestrado e doutorado logo após a graduação vai depender do perfil de carreira que cada um pretende traçar. Na sua avaliação, quem deseja seguir carreira acadêmica ou em centros de pesquisas é um profissional que estará sujeito, a todo instante, a um grande volume de trabalho e informações de alta complexidade, o que exige conhecimento abrangente em sua área. Neste aspecto, é impensável no cenário atual um acadêmico que não tenha doutorado.
Já para os que procuram ser absorvidos rapidamente pela indústria, a exigência é um pouco menor. ''Segundo os gerentes com os quais tenho contato, o curso de mestrado expande os horizontes do profissional e permite um aprofundamento em termos de conhecimento sob medida para a indústria'', completa Pomini.


Empreendedores podem abrir próprio negócio
  Se o quí­mi­co es­tá sem­pre em bus­ca de no­vi­da­des, na­da me­lhor que ino­var tam­bém quan­do o as­sun­to é o mer­ca­do de tra­ba­lho. ­Abrir a pró­pria em­pre­sa po­de ser uma óti­ma op­ção se o pro­fis­sio­nal tem ca­rac­te­rís­ti­cas em­preen­de­do­ras.
  A Agên­cia de Ino­va­ção Tec­no­ló­gi­ca da UEL (Ain­tec) tem co­mo um dos ­seus ob­je­ti­vos in­cen­ti­var os alu­nos a te­rem o seu ne­gó­cio. ‘‘Au­xi­lia­mos os alu­nos que es­tão se for­man­do e não que­rem se tor­nar ­empregados’’, sa­lien­ta o pro­fes­sor Mil­ton Fac­cio­ne, mem­bro da Ain­tec.
  Um boa al­ter­na­ti­va pa­ra os quí­mi­cos ar­ro­ja­dos é ­abrir em­pre­sas que tra­tam dos ­mais di­ver­sos re­sí­duos in­dus­triais. ‘‘É uma mi­na de di­nhei­ro, por­que se re­co­lhe a ma­té­ria pri­ma ge­ral­men­te a cus­to ze­ro e a trans­for­ma no­va­men­te em um pro­du­to con­su­mí­vel. Po­de-se tra­ba­lhar com re­sí­duos de ba­te­rias (chum­bo), re­ci­cla­gem de pe­ças de in­for­má­ti­ca e até re­sí­duos da pro­du­ção de ­gesso’’, exem­pli­fi­ca Fac­cio­ne.
  Em­preen­de­do­ris­mo que de­ve es­tar alia­do a uma boa for­ma­ção. ‘‘Os quí­mi­cos que par­tem pa­ra a ­área co­mer­cial po­dem pro­cu­rar um MBA em ne­gó­cios, con­ta­bi­li­da­de ou pla­ne­ja­men­to ­estratégico’’, fi­na­li­za o pro­fis­sio­nal da Pe­tro­bras, Ar­man­do Ma­teus Po­mi­ni. (V.L.)


Estágios abrem portas para pós-graduação
  Du­ran­te os qua­tro ­anos da gra­dua­ção, o es­tu­dan­te de quí­mi­ca tem con­ta­to di­re­to com pes­qui­sas nos la­bo­ra­tó­rios das ­mais di­fe­ren­tes ­áreas do cur­so, que é es­sen­cial­men­te prá­ti­co. ‘‘Co­mo o es­tá­gio é obri­ga­tó­rio, in­se­ri­do na gra­de cur­ri­cu­lar, os alu­nos aca­bam in­gres­san­do em di­ver­sas li­nhas de pes­qui­sa de ­seus pro­fes­so­res. Não é com­pli­ca­do pa­ra ­eles con­se­gui­rem um es­tá­gio na pró­pria ­universidade’’, con­ta o pro­fes­sor Mil­ton Fac­cio­ne.
  Apai­xo­na­das por quí­mi­ca des­de o en­si­no mé­dio, as ir­mãs gê­meas Ca­ri­na e Ca­mi­la Sco­pa­ro, de 21 ­anos, es­co­lhe­ram se­guir es­ta pro­fis­são. ­Elas es­tão ter­mi­nan­do a gra­dua­ção pe­la UEL e op­ta­ram por fa­zer es­tá­gios no se­gun­do e quar­to ano do cur­so. Ca­ri­na es­tá en­vol­vi­da com a bio­quí­mi­ca e Ca­mi­la, com a quí­mi­ca or­gâ­ni­ca. ‘‘Co­mo nos­so cur­so é in­te­gral, fi­ca com­pli­ca­do es­ta­giar fo­ra da uni­ver­si­da­de. Es­ta­mos gos­tan­do bas­tan­te, por­que au­xi­lia­mos em pes­qui­sas que, fu­tu­ra­men­te, te­rão uma apli­ca­ção ­prática’’, diz a es­tu­dan­te Ca­ri­na, que tra­ba­lha com con­tro­le bio­ló­gi­co de pra­gas na agri­cul­tu­ra.
  Co­mo es­tão se for­man­do com pou­ca ida­de, as gê­meas que­rem in­gres­sar di­re­ta­men­te no mes­tra­do e dou­to­ra­do. ‘‘Ve­jo que a maio­ria dos alu­nos faz es­sa op­ção. Con­ti­nuam os es­tu­dos a par­tir dos tra­ba­lhos dos es­tá­gios. Não te­nho dú­vi­das que es­co­lhe­mos a pro­fis­são ­correta’’, re­tra­ta Ca­ri­na.
  Pa­ra o quí­mi­co Ar­man­do Ma­teus Po­mi­ni, os ­três ­anos de es­tá­gio que rea­li­zou no La­bo­ra­tó­rio de Pes­qui­sas em Mo­lé­cu­las Bioa­ti­vas da UEL fo­ram uma opor­tu­ni­da­de de en­trar em con­ta­to com a ciên­cia. ‘‘Par­ti­ci­pei de con­gres­sos, pu­bli­quei ar­ti­gos cien­tí­fi­cos e es­ta­be­le­ci co­la­bo­ra­ções com aca­dê­mi­cos de di­fe­ren­tes pon­tos do ­país. Cer­ta­men­te, foi um pe­río­do es­sen­cial pa­ra mi­nha for­ma­ção, que ­abriu as por­tas da pós-gra­dua­ção. Eu re­co­men­da­ria que to­dos os gra­duan­dos pro­cu­ras­sem um es­tá­gio de ini­cia­ção cien­tí­fi­ca o ­mais ce­do pos­sí­vel.’’ (V.L.)

mockup