SUA CARREIRA - O alquimista da atualidade
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Victor Lopes<br> Especial para a FOLHA 
Entre tubos de ensaio, pesquisas laboratoriais e a busca por inovações, o profissional de química está com a carreira em plena expansão. No Paraná, segundo o Conselho Regional de Química (CRQ) da 9 Região, existem mais de 50 instituições de ensino que oferecem cursos técnicos e universitários relacionados à profissão. Novos profissionais que vão suprir a demanda do mercado de trabalho da região e de outros Estados, nas mais diversas áreas de atuação.
O professor Milton Faccione, do Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e membro do CRQ, explica que um bacharel em química recém-formado, por exemplo, não tem grandes dificuldades para ingressar no mercado. ''Em nossa região, a necessidade é de profissionais que atuem de forma ampla. São indústrias de tinta, fertilizantes, açúcar e álcool e as que querem lidar melhor com os resíduos da produção. Todas elas necessitam do trabalho básico do químico'', relata o professor, que diz ainda que o piso salarial da profissão é de seis salários mínimos - cerca de R$ 2.790 - por 40 horas de trabalho. Outra alternativa é a licenciatura, graduação que habilita o profissional a dar aulas nos ensinos Fundamental e Médio.
Os cursos técnicos, tanto para Ensino Médio quanto para o superior, permitem a atuação em áreas específicas. Faccione aponta a existência de mais de cem profissionais de química com formações distintas. ''Temos hoje técnicos em curtume, vinho, metalurgia, laticínios e muitos outros. O único problema é que essas especializações podem acabar restringindo um pouco o profissional'', analisa.
Mas o mercado de trabalho do químico não se reduz apenas às indústrias e às salas de aula. Uma boa escolha é concorrer a vagas em concursos públicos. Nascido em Cambé, o químico de petróleo Armando Mateus Pomini, 27 anos, se formou na Universidade Estadual de Londrina há cinco anos e resolveu continuar os estudos com mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Em 2006, o rapaz prestou um concurso da Petrobras e foi convocado pela empresa dois anos depois, conquistando seu primeiro emprego pouco antes do término do doutorado. ''Não é fácil passar em um concurso público. Realizei muitas tentativas ao longo da pós-graduação e felizmente consegui boas oportunidades. No caso da Petrobras, foram 3.500 químicos concorrendo para 20 vagas'', comenta Pomini, que tem seu último trabalho na empresa relacionado à plataforma P-50, a mesma que deu ao Brasil a autossuficiência na produção de petróleo.
O químico ainda salienta que a opção de realizar mestrado e doutorado logo após a graduação vai depender do perfil de carreira que cada um pretende traçar. Na sua avaliação, quem deseja seguir carreira acadêmica ou em centros de pesquisas é um profissional que estará sujeito, a todo instante, a um grande volume de trabalho e informações de alta complexidade, o que exige conhecimento abrangente em sua área. Neste aspecto, é impensável no cenário atual um acadêmico que não tenha doutorado.
Já para os que procuram ser absorvidos rapidamente pela indústria, a exigência é um pouco menor. ''Segundo os gerentes com os quais tenho contato, o curso de mestrado expande os horizontes do profissional e permite um aprofundamento em termos de conhecimento sob medida para a indústria'', completa Pomini.
Empreendedores podem abrir próprio negócio
Se o químico está sempre em busca de novidades, nada melhor que inovar também quando o assunto é o mercado de trabalho. Abrir a própria empresa pode ser uma ótima opção se o profissional tem características empreendedoras.
A Agência de Inovação Tecnológica da UEL (Aintec) tem como um dos seus objetivos incentivar os alunos a terem o seu negócio. Auxiliamos os alunos que estão se formando e não querem se tornar empregados, salienta o professor Milton Faccione, membro da Aintec.
Um boa alternativa para os químicos arrojados é abrir empresas que tratam dos mais diversos resíduos industriais. É uma mina de dinheiro, porque se recolhe a matéria prima geralmente a custo zero e a transforma novamente em um produto consumível. Pode-se trabalhar com resíduos de baterias (chumbo), reciclagem de peças de informática e até resíduos da produção de gesso, exemplifica Faccione.
Empreendedorismo que deve estar aliado a uma boa formação. Os químicos que partem para a área comercial podem procurar um MBA em negócios, contabilidade ou planejamento estratégico, finaliza o profissional da Petrobras, Armando Mateus Pomini. (V.L.)
Estágios abrem portas para pós-graduação
Durante os quatro anos da graduação, o estudante de química tem contato direto com pesquisas nos laboratórios das mais diferentes áreas do curso, que é essencialmente prático. Como o estágio é obrigatório, inserido na grade curricular, os alunos acabam ingressando em diversas linhas de pesquisa de seus professores. Não é complicado para eles conseguirem um estágio na própria universidade, conta o professor Milton Faccione.
Apaixonadas por química desde o ensino médio, as irmãs gêmeas Carina e Camila Scoparo, de 21 anos, escolheram seguir esta profissão. Elas estão terminando a graduação pela UEL e optaram por fazer estágios no segundo e quarto ano do curso. Carina está envolvida com a bioquímica e Camila, com a química orgânica. Como nosso curso é integral, fica complicado estagiar fora da universidade. Estamos gostando bastante, porque auxiliamos em pesquisas que, futuramente, terão uma aplicação prática, diz a estudante Carina, que trabalha com controle biológico de pragas na agricultura.
Como estão se formando com pouca idade, as gêmeas querem ingressar diretamente no mestrado e doutorado. Vejo que a maioria dos alunos faz essa opção. Continuam os estudos a partir dos trabalhos dos estágios. Não tenho dúvidas que escolhemos a profissão correta, retrata Carina.
Para o químico Armando Mateus Pomini, os três anos de estágio que realizou no Laboratório de Pesquisas em Moléculas Bioativas da UEL foram uma oportunidade de entrar em contato com a ciência. Participei de congressos, publiquei artigos científicos e estabeleci colaborações com acadêmicos de diferentes pontos do país. Certamente, foi um período essencial para minha formação, que abriu as portas da pós-graduação. Eu recomendaria que todos os graduandos procurassem um estágio de iniciação científica o mais cedo possível. (V.L.)


