SUA carreira - No chão e nos ares da aviação
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quinta-feira, 06 de agosto de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Voar faz parte do imaginário de muita gente: é mítico, é romântico. Ser piloto de avião, assim como ser bombeiro, médico ou qualquer outra carreira, cujos atos lembrem os de um super-herói, vez ou outra entra no sonho profissional de alguém. Por essas e outras razões, a graduação em Ciências Aeronáuticas é um dos cursos mais procurados e com menos desistência da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina. ''Quem faz o curso são pessoas apaixonadas por aviação'', resume Giorge Marlon Lopes Tsuruta, professor de segurança de voo do curso. Segundo ele, em torno de 80% dos graduandos carregam consigo o desejo de se tornar piloto.
Mas engana-se quem pensa que vai sair da faculdade ''voando''. O curso, que foi implantado no ano 2000, tem duração de três anos, envolve diversas áreas da aviação e quem quer seguir a carreira de piloto ainda vai precisar passar pelo curso prático oferecido por alguns aeroclubes homologados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), incluindo o de Londrina.
Entre as ênfases da graduação estão as disciplinas de segurança e de gestão do setor aeronáutico. O objetivo, segundo Tsuruta, é cuidar da profissionalização do aluno como um todo. ''O diferencial da graduação em ciências aeronáuticas é o trabalho feito nas questões gerenciais do setor que hoje são indispensáveis para quem quer trabalhar nas companhias aéreas'', aponta o professor. Ele argumenta, inclusive, que a ideia de implantar o curso surgiu justamente da necessidade do mercado por profissionais mais ''completos''.
Ele explica, por exemplo, que atualmente para ser um piloto não basta apenas saber ''pilotar''. ''O importante é gerenciar'', pontua. Hoje em dia, acrescenta Tsuruta, a maioria das aeronaves é automática, então um piloto precisa aprender a gerenciar essa máquina e os outros profisisonais que trabalham ao seu redor. ''Hoje 90% da função de um piloto é gerenciar e não apenas pilotar uma aeronave''.
Quem sai do curso de graduação, por sua vez, pode atuar em aeroportos e empresas aéreas. Um dos setores que tem absorvido parte desses profissionais é o que envolve segurança de voo, principalmente a área de prevenção de acidente. ''Tudo o que está relacionado às atividades de voos são bem legisladas. Então, uma das atividades dos profissionais que atuam na parte de segurança é verificar se os processos das empresas do setor estão de acordo com as normas estabelecidas'', observa.
Tsuruta comenta que a profissão de piloto quase sempre está relacionada ao glamour, ao romantismo, o que deixa alguns deles se sentindo melhores do que outros. Com o curso, afirma ele, a ideia é mostrar que a profissão tem lá suas especialidades e belezas, mas trata-se de uma carreira como qualquer outra. ''Fazemos um trabalho de profissionalização no sentido de mostrar todos os lados do setor aéreo e para que o aluno não saia da faculdade achando que é um deus'', finaliza.
Brevê exige 150 horas aulas de voo
Segundo Giorge Tsuruta, professor do curso de ciências aeronáuticas da Unopar, quem quiser seguir a carreira de piloto ou de instrutor de voo precisa fazer um treinamento à parte. Nossa graduação permite que o aluno faça essas aulas durante ou após o curso, destaca. Aqui em Londrina, as aulas práticas podem ser feitas no Aeroclube.
Para obter o Certificado de Habilitação Técnica, o famoso brevê, é preciso completar 150 horas aulas de voo. Com essa pontuação o aluno está autorizado a ser piloto privado ou comercial, em aeronaves de pequeno porte. Já para ser piloto de linha aérea, é preciso somar no mínimo 1,5 mil horas de voo. A preparação para ser piloto pode levar de três meses a mais de um ano. Segundo, Tsuruta a duração do curso será de acordo com a disponibilidade de tempo e de recursos do aluno. Cada hora aula prática custa em média R$ 230.
O curso de graduação em ciências aeronáuticas, por sua vez, tem duração de três anos e a mensalidade é de R$ 436. Durante a graduação, explica o professor, os alunos têm apenas aula de simulação de voo, mas não aulas práticas. Nos laboratórios têm até simulação de sistemas de aeronaves de grande porte. É tudo muito próximo do real, mas não é prática, enfatiza Tsuruta. Os alunos também têm acesso a um laboratório no qual recebem orientações sobre mecânica.
Ele explica que quem ser piloto pode fazer apenas o curso prático do Aeroclube, que também oferece algumas disciplinas teóricas. Mas o grande diferencial da graduação é que os alunos têm contato com disciplinas que hoje são indispensáveis para trabalhar no setor aéreo, mesmo para aqueles que desejam apenas ser pilotos.
O professor enfatiza que a graduação também ajuda o aluno a se inserir no mercado de trabalho, fazendo parcerias com empresas e oportunizando estágios. Muitos alunos são efetivados, garante. Quanto aos salários oferecidos no setor, Tsuruta informa que variam conforme a função exercida. Segundo ele, quem atua na área administrativa, por exemplo, na parte de segurança ou gestão pode entrar no mercado com salário inicial em torno de R$ 2 mil. A remuneração inicial de um piloto comercial gira em torno de R$ 3,5 mil. Um copiloto de linha aérea que acabou de entrar ganha perto de R$ 5 mil e um comandante de voos internacionais pode receber em torno de R$ 18 mil. (E.Z.)
Desejo de voar é o que move alunos
Ivan Saab Lima, 31 anos, sempre sonhou em ser piloto. Quando terminou o Ensino Médio até prestou vestibular para Física na Unicamp, passou, mas não foi sequer um dia para a aula. Acabou se inscrevendo no curso prático para piloto do aeroclube de Piracicaba, interior de São Paulo. Foram dois anos de curso, e de lá para cá já são mais de dez anos pilotando aeronaves executivas. Todo piloto é piloto porque gosta muito. Voar é algo romântico, mítico. Até hoje ainda acho lindo voar, conta o profissional.
Mesmo com toda a experiência nos ares já soma mais de 1,5 mil horas de voo Lima decidiu entrar para a faculdade de ciências aeronáuticas no ano passado. O curso é muito interessante, oferece um aprofundamento do setor. Hoje eu vejo isso como fundamental, analisa o piloto, que tem a intenção de continuar a carreira na área comercial.
Para quem deseja seguir a mesma profissão, Lima aconselha a ter sempre em mente que ser piloto não é ser super-herói. Há que se ter um pouco de medo de voar, brinca ele. Cautela nessa profissão é crucial, pontua.
Uma das seis mulheres da turma que entrou no primeiro semestre deste ano na Unopar, e que conta com quase 60 alunos, Natália Cristina Boni, 19, já tem mais de 100 horas aulas práticas e um desejo bem comum: pilotar e ser instrutora de voo. Não vejo a hora de completar as 150 horas de voo para começar a trabalhar, avisa Natália.
Ela começou as aulas práticas no Aeroclube de Londrina ano passado e este ano decidiu entrar para a faculdade de ciências aeronáuticas. A idéia também é se aprofundar nos assuntos que envolvem o setor. No Aeroclube aprendi algumas coisas teóricas, mas na graduação isso é mais amplo. O curso também abre o campo de trabalho, apesar de gostar de pilotar poderei atuar em outros setores da avia-ção, enfatiza.
Natália destaca que quando iniciou o curso sentiu um pouco de preconceito por ser mulher. Porém, com o tempo passou a sentir o respeito das outras pessoas. Incentivo as mulheres que têm o desejo de ser piloto que sigam em frente e não desistam, diz. Giorge Tsuruta, professor do curso de graduação em ciências aeronáuticas, confirma que a maioria, cerca de 90% das pessoas que procuram o curso são homens. Mas, segundo ele, as mulheres têm demonstrado cada vez mais interesse pela área. (E.Z.)


