SUA CARREIRA - Linguagem do poder
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Carlos Eduardo Kiatkoski<BR> Especial para a FOLHA 
Curitiba - Em tempos de campanha política é comum o bombardeio de informações em relação a esse ou aquele candidato. Para fortalecer a imagem de um determinado aspirante ao cargo é muito comum empregar um profissional especialista em desenvolver o lado positivo do contratado. Os chamados marqueterios políticos, ou como preferem ser chamados, profissionais de comunicação eleitoral. A profissão é relativamente nova no País, haja vista que a abertura política começou há apenas 21 anos, nas eleições presidenciais de 1989.
O marketing eleitoral tornou-se uma ferramenta indispensável para qualquer candidato. E sua aplicação pode ser vista com maior força em época de pleito eleitoral. Mas a construção da imagem de um candidato é feita ao longo do tempo e não, como muitos imaginam, em época de campanha política. ''Não tem como se criar um candidato. Ou a pessoa defende realmente as idéias do discurso, ou com o tempo ela acaba revelando quem realmente é'', afirma Priscila Punke, doutora em ciências da comunicação, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O comunicador eleitoral deve ser ético. As maiores dificuldades apontadas pela professora são a resistência por parte dos candidatos em mudar sua abordagem e discurso, muitas vezes por acreditarem que como deu certo uma vez, sempre dará. A relação do profissional com o candidato deve ser de extrema confiança. ''O candidato deve ouvir e aceitar as idéias novas'', comenta Priscila.
As campanhas ao longo dos anos tornaram-se mais profissionalizadas, e os bons profissionais são disputados e extremamente bem remunerados. Os ganhos, esses são guardados como segredos de estado e vão depender do cargo a ser exercido durante a campanha. ''A remuneração de um jornalista (por exemplo) em camapanha é no mínimo o dobro do piso salarial, isso para trabalhar cinco horas por dia, exceto finais de semana'', afirma. O piso salarial do jornalista varia coforme o estado, no Paraná o piso é de R$ 2.049,11, segundo o Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Sindijor-Pr).
Para ser marqueteiro político não é necessário formação específica, ou mesmo um diploma universitário. É preciso no entanto conhecimento da área e muito jogo de cintura. ''Há uma mistificação da atividade, tal como a dos profissionais de marketing representam uma espécie de milagreiros, portadores de soluções mágicas'', comenta Luiz Inácio de Melo, profissional de comunicação eleitoral.
Melo se considera um autodidata em relação ao marketing político e eleitoral, já que não tem formação universitária específica. ''Há especializações aplicáveis, como por exemplo, em planejamento de marketing, gestão, entre outras'', lembra. Melo, que atuou muitos anos como jornalista, é hoje consultor autônomo, e está cursando Ciências Políticas. Sua carreira profissional teve início na militância política, quando era responsável por produzir materiais e discursos para as campanhas do partido. ''Foi aí que comecei a me interessar cada vez mais pelo assunto'', lembra Melo.
O brasileiro, segundo Priscila, só vive a política durante as campanhas eleitorais, e para ela é necessária uma mudança no pensamento. ''É preciso ver a política como algo referente à vida, ao dia a dia da pessoa'', ensina. A atividade política é permanente e não um acontecimento esporádico como muitos veem.


