SUA CARREIRA - Glamour entre panelas e temperos
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Há cinco anos, o então administrador de empresas Lutcho Roberto Giannini fez uma viagem para a Austrália para aperfeiçoar o inglês. Lá, entre empregos esporádicos, trabalhou em resturantes do país. Acabou pegando gosto pelo ofício, chegou a ser designado responsável pelas sobremesas e saladas de um estabelecimento, e assim, meio que por acaso, encontrou sua verdadeira vocação: cozinhar.
''Eu sempre gostei da boa cozinha, mas até então não cozinhava'', confessa o chefe, que hoje, de volta ao Brasil, comanda um dos cursos de gastronomia mais importantes do País, o curso de Chefe de Cozinha e Restaurateur ®MDBO¯®MDNM¯do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Criado em 1962, foi o primeiro curso do País, assim como o Restaurante-Escola, que atua na formação de cozinheiros e garçons. Desta forma, a proposta do Senac acabou favorecendo o surgimento de outros cursos da área que apareceram principalmente nos últimos anos. Não por acaso, a profissão de cozinheiro passou a ser denominada ''chefe de cozinha'' e tornou-se glamourosa.
Chefes, hoje, viraram celebridades. Nomes como o de Alex Atala, do Restaurante D.O.M. de São Paulo, considerado um dos 50 melhores do mundo; da gaúcha Roberta Sudbrack, que pilotou a cozinha do palácio da Alvorada; e de Sergio Arno, do Vecchia Cosina; hoje não vivem mais só entre panelas e temperos. É comum serem vistos como destaques em matérias e colunas sociais de jornais e revistas. No Paraná, a história se repete. O glamour também ronda nomes famosos como Celso Freire, um desbravador da área em Curitiba com seu restaurante Boulevard; Geraldine Miraglia, do bistrô Oil Gastronomia; ou Joy Perine, que comanda a cozinha do restaurante Zea Mais. Só para ficar em alguns exemplos.
A valorização da profissão no Brasil não aconteceu ao acaso. Está relacionada com a multiplicação de restaurantes de culinária altamente sofisticada que começaram a aparecer a partir da década de 90. No início, chefs internacionais de renome tiveram que assumir cozinhas importantes no Brasil. Brasileiros também saíram para estudar fora do Brasil. Ao voltarem, trouxeram novas propostas para a cozinha, com a utilização de técnicas francesas e asiáticas, aplicadas aos ingredientes brasileiros. A partir daí é que se começou a pensar em uma formação de qualidade no País.
Onde estudar em Curitiba
Senac: Curso de Chefe de Cozinha e Restaurateur com duração de seis meses. Custo: R$ 3.655,68 parcelados. Parte das vagas são dentro do Programa Senac de Gratuidade (PSG), que dispõe vagas para os alunos de menor renda entre os candidatos. (41) 3029-4644
Centro Europeu: Curso Chefe de Cozinha e Restaurateur com duração de um ano. Custo: R$ 9.449 parcelados em atá 14 prestações de R$ 840 + R$ 680 de material parcelados em até 10 vezes de R$ 79. (41) 3324-6669
Espaço Gourmet: Curso de Chef de Cozinha em sete módulos: 1º - Bases de Cozinha (Obrigatório); 2º - Massas e Garde Manger; 3º - Cozinha Étnica; 4º - Patisserie e Boulangerie; 5º - Bebidas; 6º - Cozinha Criativa; 7º - Chef Executivo e Gestão de Restaurantes. Custo: R$ 1,1 mil a
R$ 1,4 mil por módulo. O primeiro custa R$ 1.140, que pode ser parcelado em 2 prestações de R$ 574 ou três vezes de
R$ 398 mais R$ 120 de material. (41) 3019-0437
PUC/PR: Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia com duração de dois anos e meio. Custo: mensalidades de R$ 946. (41) 3271-1453 / 3271-2221
Opet/PR: Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia com duração de dois anos. Custo: R$ 648 por mês.
(41) 3028-2828
Mercado de trabalho é considerado promissor
O mercado, hoje, é promissor. Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) existem cerca de 1 milhão de restaurantes, bares e lanchonetes no Brasil. No Paraná, são mais de 360 mil e só em Curitiba, 18 mil. O setor, segundo o diretor executivo da Abrasel, Luciano Bartolomeu, tem crescimento anual de 5% a 7%. Em média 27% da população brasileira faz alimentações fora de casa. A média no Paraná é um pouco maior, de quase 30%. Comparando com os Estados Unidos, que é 49%, dá para crescer mais, diz.
A boa notícia para os profissionais de cozinha é que hoje, de acordo com ele, não só os restaurantes sofisticados prezam pela formação. Entendemos que é importante até em restaurante pequeno ter um bom chefe, porque ele traz técnicas novas, valoriza o estabelecimento, avalia Bartolomeu. A chef Ana Lucia concorda: Antigamente só quem não sabia fazer nada é que ia trabalhar na cozinha. O mercado está entendendo que precisa de um profissional com formação na cozinha, diz.
Quem quer seguir a carreira, no entanto, deve ter bem claro que, literalmente, vida de chefe é de fritar bolinho. Isso signfica que mesmo profissionais famosos têm que se submeter às tarefas menos nobres da profissão, como lavar louça, cortar cebola e limpar peixe. Outro problema é o horário de trabalho, afinal cozinheiros, em geral, não têm feriados nem fim de semana. Segundo Bartolomeu, normalmente os cozinheiros sem formação, que têm baixa escolaridade e renda baixa, aceitam trabalhar nestes horários. Jovens que se formam como chefe têm um choque quando vêem o horário de trabalho e o salário porque eles já querem ganhar como grandes chefes, avalia.
O salário, em geral, começa baixo. Segundo Ana Lúcia, mesmo os formados entram no mercado como auxiliares de cozinha, com salários que variam de R$ 600 a R$ 800. Só depois, com mais experiência é que os ganhos aumentam. Segundo a Abrasel, o mercado tenta aliar a formação com a experiência. No Paraná, os salários variam entre R$ 1,2 mil a R$ 3,5 mil, mas podem chegar a R$ 10 mil, dependendo do profissional. (M.G.)
Graduação abre portas a interessados
Em Curitiba, além do curso do Senac, quem quer entrar na profissão tem pelo menos mais quatro opções. A Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR) e Universidade Opet têm curso superior de Tecnologia em Gastronomia. O primeiro tem duração de dois anos e meio e o segundo, dois anos. Os cursos no Centro Europeu e e do Senac, de Chef de Cozinha Restaurateur, não são cursos de graduação e têm duração bem menor, de um ano e de seis meses, respectivamente.
No Espaço Gourmet, o curso completo tem 7 módulos, com duração de 60 horas cada, o equivalente a cerca de dois meses. O aluno escolhe os módulos que pretende fazer, sendo que o primeiro, de Bases da Cozinha (mise en place, caldos e molhos básicos, molhos derivados, especiais e contemporâneos, guarnições e cozinha clássica) é obrigatório. A carga horária total é de 420 horas.
Em geral, todos eles oferecem aulas práticas em várias especialidades, como culinária brasileira, internacional, panificação, pâtisserie e enogastronomia, entre outras. Há ainda disciplinas teóricas, que envolvem gerenciamento e administração de restaurantes, cozinhas coletivas, eventos, estoques e marketing. Os restaurantes não querem só um bom chefe, eles buscam também alguém que saiba gerenciar todo o processo, que saiba maximizar os lucros e minimizar as perdas, diz a chefe Ana Lucia Gradela, coordenadora do curso de tecnólogo da Opet.
Segundo a chef Sandra Duarte, coordenadora do curso do centro Europeu, o perfil de quem busca formação é diverso: são pessoas que estão na área e sentiram necessidade de formação profissional, jovens que querem ingressar na profissão e 70% são pessoas que têm curso superior e decidiram redirecionar a carreira. Cerca de 90% de quem faz o curso quer ingressar na profissão, diz.
Marcia Zwiener, estudante do curso da Opet, se enquadra bem neste perfil. Formada em Nutrição, ela quer abrir um estabelcimento na área de confeitaria. Sempre tive fascinação pela cozinha desde meus seis, sete anos. Fiz nutrição achando que seria mais voltado para esta área, só agora estou no caminho certo, diz. O colega de turma Dejaime Reliquias da Silva, por sua vez, já tem uma rede de cinco pizzarias em Curitiba, e decidiu fazer o curso para conhecer mais a área da gastronomia. Este é o mercado que mais gera empregos, mas também tem menos gente qualificada, diz. (M.G.)


