SUA CARREIRA - Fisioterapia: profissão em alta
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
A profissão de fisioterapeuta está na moda. Graças ao destaque obtido na imprensa pelo tratamentos recentes a que foram submetidos craques como Ronaldo e Rogério Ceni, recuperados de contusões graves com o auxílio de profissionais da área. Para a chefe do Departamento de Fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Laryssa Bellinetti, duas características - ser uma profissão nova e a obtenção de reconhecimento da função - fazem com que a atividade esteja em ''franca ascenção.''
''Tem áreas da saúde que estão evoluindo muito rápido, e pelo menos uma nova especialidade surge todo ano, sendo reconhecida pelo Conselho Federal de Fisioterapia'', diz ela. Hoje o conselho tem 12 especialidades reconhecidas. Ela cita algumas especialidades novas, como a Fisioterapia do Trabalho, Esportiva e Urogineco-Funcional, todas reconhecidas nos últimos dois anos.
A coordenadora do curso da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) Renata Rothenbuhler faz questão de ressaltar que o fisioterapeuta atua em três momentos: na promoção da saúde, na prevenção e na reabilitação. ''Hoje há bastante espaço de trabalho para quem pensa na promoção e prevenção. Até então, trabalhava-se apenas com a doença instalada, ou seja, era uma função só curativa'', diz. Exemplos de atuação nesta área, cita, são as estratégias do Programa Saúde da Família. Neste caso, o fisioterapeuta atua junto a outros profisionais em contato com a comunidade. Uma de suas funções é orientar a população para ações que melhorem a saúde e previnam doenças.
O fisioterapeuta trabalha com os distúrbios do movimento gerados por alterações genéticas, traumas ou doenças adquiridas. São vários os campos profissionais de atuação: clínicas, hospitais, unidades de saúde, associações, escolas, academias de ginástica, clínicas de estética, empresas e centros esportivos, entre outros. Cada um com características próprias. Nas empresas, por exemplo, cada vez mais é comum a presença do profissional que vai trabalhar junto aos funcionários na prevenção de doenças ocupacionais.
A concorrência é grande. Dados do Conselho Regional de Fisioterapia do Paraná (Crefito 8) dão conta de que existem no Paraná 7.836 fisioterapeutas. Destes, 3.154 estão em Curitiba e 796 em Londrina. Há, ainda, 2.419 clínicas espalhadas por grande parte dos municípios. E o número de profissionais cresce a cada ano com a chegada dos formandos das 27 universidades do Estado que ofertam o curso de Fisioterapia. Destas, nove são em Curitiba, três em Londrina, duas em Maringá, Foz e Cascavel. Outros nove municípios também têm um curso cada.
Ainda assim, para Laryssa, o mercado oferece boas oportunidades. Nas grandes cidades, onde a concorrência é maior, o recomendável é que o profissional faça pós-graduação para se especializar, o que vai facilitar sua inserção no mercado. Já no interior, segundo ela, as perspectivas de colocação rápida são grandes, principalmente em áreas como neurologia, ortopedia e pneumologia.
Mas nem tudo são flores na profissão. Uma luta antiga da categoria, segundo o presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais do Paraná, Woldir Wosiacki, é para fazer valer o que diz a legislação que regulamentou a profissão, para que o profissional possa avaliar e aplicar os recursos terapêuticos necessários para cada caso. ''O ponto chave é que trata-se de um profissional de nível superior e que tem autonomia para o exercício de sua função'', diz ele.
Na prática isso nem sempre acontece. No caso dos planos de saúde, por exemplo, o paciente não pode fazer uma consulta direta com o fisioterapeuta, a exigência é que seja encaminhado por um médico. ''Isso não existe, os planos fazem isso para minimizar os custos. A fisioterapia não precisa da prescrição do médico'', afirma Wosiacki, ressaltando que, caso o profissional não tenha domínio sobre o quadro do paciente, ele deve buscar mais informações, exames ou mesmo avaliação médica. ''Ele tem autonomia para tomar a decisão com ética'', diz.
A luta pela autonomia da profissão não é só dos fisioterapeutas. Outras categorias, como enfermeiros, assistentes sociais, biólogos, farmacêuticos, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e terapeutas ocupacionais integram o Movimento contra o Ato Médico, que luta contra a aprovação de um projeto de lei que determina que cabe ao médico a competência de todas as ações de promoção e assistência em saúde, caracterizada na exclusividade e/ou primazia do diagnóstico, da terapêutica e da chefia e coordenação de serviços, restringindo, dessa forma, o livre exercício dos demais profissionais.


