Atualmente a perda de dentes atinge 70% da população acima de 45 anos e tornou-se um problema de saúde pública no Brasil. Esse ano, os investimentos do Ministério da Saúde nesse setor duplicaram e foram credenciados 203 novos Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPD), uma ampliação de 62%.
Com o crescimento nos investimentos, cresce também a demanda por técnicos em próteses dentárias, denominados protéticos. Esse profissional planeja, restaura e executa toda a parte mecânica e laboratorial dos aparelhos ortodônticos e das próteses fixas, removíveis e totais, a partir do molde feito pelo dentista. ''Ele não precisa ser formado em odontologia e pode trabalhar em laboratórios e clínicas dentárias'', explica José Carlos Romanini, técnico em prótese odontológica. O protético pode também atuar como autônomo ou ter seu próprio laboratório.
Segundo o doutor em prótese dentária Carlos Marcelo Archangelo, a cidade conta com 1,2 mil dentistas cadastrados no Conselho Regional de Odontologia (CRO-PR). ''E se for contar com a área metropolitana são 1,4 mil profissionais consumidores dos serviços dos técnicos em prótese dentária''. Em Londrina, atuam 81 protéticos cadastrados no CRO- PR, e estima-se que esse número seja maior, visto que muitos trabalham sem registro.
De acordo com Romanini, a oferta de emprego é ampla e o mercado de trabalho é favorável para aqueles que são capacitados. ''Porém, faltam esses profissionais'', afirma. Ele explica que o trabalho na área da saúde pode ser estressante, pois não são admitidos erros. Por outro lado, enfatiza que é muito bom poder ajudar as pessoas a terem uma melhor função de mastigação e um sorriso mais bonito. ''Temos relatos de casos de clientes que, depois de instaladas as próteses, até choraram'', enfatiza.
Algumas qualidades fazem a diferença na profissão. Os interessados devem ser detalhistas, pacientes, precisam ter habilidades manuais e, durante o curso, devem se empenhar em conhecer a anatomia dentária. ''Se o profissional quer ter seu próprio laboratório, tem que ser bom na parte técnica e na administrativa'', complementa o sócio-proprietário do Laboratório Romanini, que produz mais de 1,1 mil próteses fixas por mês, atendendo 23 estados.
O salário inicial desse profissional, em média, pode chegar a R$ 1,2 mil, dependendo da carga horária trabalhada.
Curso técnico gratuito na área
O campus de Londrina do Instituto Federal do Paraná (IFPR) oferece curso técnico em prótese dentária, com duração de dois anos. O professor e coordenador Carlos Marcelo Archangelo explica que são ofertadas 30 vagas por ano, e as aulas são ministradas no período noturno. Para ingressar é preciso passar por processo seletivo. O edital com a data do teste seletivo será publicado este mês, podendo ser consultado pelo site: www.ifpr.edu.br.
Desde 2008, o instituto é uma nova Universidade Federal e disponibiliza 50% de suas vagas para cursos técnicos, sendo o de prótese um deles. ''Esse curso do instituto vem suprir a demanda por profissionais formados, especializados e atualizados na área'', complementa o coordenador. O IFPR em Londrina está localizado ao lado da Associação Odontológica do Norte do Paraná.

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