Curitiba - A caneta, o relógio e a chave do carro de Vivian Gomes possuem microcâmeras acopladas. O óculos de sol tem capacidade para gravar imagens e sons e dificilmente algo passa despercebido pelo olhar dela. Vivian e uma equipe de 20 pessoas, incluindo o marido, passam os dias atrás de pistas de casos de traição conjugal, empresarial e familiar. Eles atuam como detetives profissionais em Curitiba e realizam trabalhos em diversas cidades do Paraná, inclusive Londrina, além de outros Estados.
A maior parte dos clientes busca os serviços da profissional para constatar casos de traição. Em cima das queixas, os detetives vão atrás de pistas que comprovem a dúvida. Para isso, vale quase tudo: escuta-ambiente no carro e no trabalho, fotos, filmagens e até seguir o suspeito. ''Os maiores flagrantes de traição conjugal são realizados com colegas de trabalho, no horário entre 11 e 13 horas e das 18 às 21 horas'', conta Vivian.
São raros os casos em que a suspeita não se comprova. Em um período médio de sete dias é possível provar a traição. Alguns clientes da detetive ainda contratam os serviços da equipe para ver se o filho está sendo mal tratado em casa, quando os pais são separados, ou se há roubo ou desvio de dinheiro em empresas de diversos segmentos. O cliente desembolsa, em média, R$ 3 mil por semana para o trabalho.
Mas nem sempre o serviço envolve emoção, como nos filmes policiais. ''Muitas vezes os detetives passam horas dentro de um carro para tentar fotografar um flagrante, sem poder ir ao banheiro ou comer. Se perder qualquer momento pode estragar todo o trabalho'', diz Vivian. A dedicação e discrição são fundamentais para o bom profissional da área.
Quem deseja ingressar no setor pode começar com um curso de 120 horas, ministrado por empresas credenciadas pela Central Única Federal dos Detetives, de São Paulo. O aluno estuda uma apostila com todos os ensinamentos para se tornar um profissional. Em seguida faz uma prova e deve ter aproveitamento mínimo de 70%.
O começo da profissão não costuma ser dos mais fáceis, como explica Vivian. ''No início eu seguia as pessoas a pé. Se elas pegassem ônibus eu ia junto. Mas quando realizamos um bom trabalho é muito gratificante''. Além dos casos de traição, ela já foi procurada por políticos, pessoas famosas e até para investigar casos de pedofilia. ''Nestas ocasiões podemos fazer o monitoramento pelo computador. Dá até para colocar uma microcâmera dentro de um urso de pelúcia e deixar no quarto''.
A profissão de detetive não é regulamentada, por isso não existe um piso salarial. A dica é desconfiar de quem cobra muito barato. ''É possível achar pessoas que pedem diárias de apenas R$ 100. Difícil confiar em um trabalho desse. Geralmente as diárias giram em torno de R$ 500'', conta a detetive.
Vivian é credenciada e pode aplicar a prova do curso, mas apenas para quem não é de Curitiba, para evitar a concorrência na Capital. Ela em breve irá lançar um livro, chamado ''Contos de uma Detetive'', onde vai relatar casos engraçados e tristes que presenciou em oito anos de profissão.
A maior parcela dos clientes são de classe média alta, além de empresas de pequeno e médio porte. Com a equipe que possui, a detetive consegue atender, por mês, uma média de 30 casos conjugais, cinco familiares e cinco empresariais ao mesmo tempo.
Ainda é possível trabalhar nas áreas de detetive criminal e na localização de pessoas. O aluno do curso aprende a mexer em equipamentos especiais, como fazer um contrato de trabalho e as leis que regem a categoria. ''Não podemos fotografar dentro de um estabelecimento particular, pois podemos sofrer um processo. No caso de traição, podemos ir apenas até a entrada do motel. Fazemos as imagens e entregamos para o cliente. Se ele quiser, podemos avisar para que ele próprio faça o flagrante'', conta.
Além de sigilo, a honestidade é um dos pontos principais para o investigador. ''É preciso uma pessoa de confiança. Senão ele pode pegar as provas e tentar vender para o acusado por um preço maior'', diz Vivian. O valor do curso para detetive varia entre R$ 600 e R$ 1,2 mil, dependendo da área de atuação que o aluno pretende se especializar.

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