SUA CARREIRA - Eles são os donos da bola
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Há quem considere que a importância atribuída a eles é exagerada, afinal, quem decide uma partida são os jogadores. Porém, muitos os consideram verdadeiros estrategistas, capazes de alterar decisivamente a maneira de um time jogar e conduzí-lo a grandes conquistas. Polêmicas à parte, a verdade é que os técnicos de futebol ganharam muita importância no futebol brasileiro nas últimas décadas.
Quem opta por essa profissão tem que estar disposto a aguentar a pressão de cartolas, imprensa e torcedores, a estar sempre fora de casa (viagens são constantes) e a lidar com ciclos de trabalho curtos, afinal, o Brasil tem a cultura de demitir técnicos logo que surgem as primeiras derrotas.
É fundamental também ter uma certa paciência na condução da carreira. São raras situações como a de Dunga, que nunca treinou time algum e teve a primeira experiência como técnico já no comando da Seleção Brasileira, o cargo mais importante na carreira de um treinador brasileiro. O técnico de futebol geralmente começa por baixo, comandando equipes de categorias de base ou times principais de clubes pequenos, de orçamento reduzido.
O ex-jogador Leandro da Silva, o Cuca, de 36 anos, está começando a carreira de treinador. Ele é técnico do time de juniores do Corinthians Paranaense, de Curitiba. ''Fui jogador praticamente a minha vida toda. No final dessa carreira, já vinha planejando ficar no meio de futebol quando me aposentasse. Me disseram que eu tinha perfil para ser técnico. O Corinthians Paranaense me abriu as portas para fazer um estágio de um mês. Depois, fui contratado pelo clube. Fui auxiliar técnico do time principal e há seis meses sou treinador dos juniores'', relata Cuca.
O atual técnico do time principal do Coritiba, Ney Franco, 44 anos, teve um início de carreira diferente dos primeiros passos de Cuca. ''Tentei ser jogador de futebol, mas quando eu estava nas categorias de base passei no vestibular de Educação Física (na Universidade Federal de Viçosa - MG). Não fiz a faculdade pensando em ser treinador, mas nos dois últimos anos do curso comecei a desenvolver estudos na área de futebol. Foi aí que despertou esse interesse'', explica.
Antes de treinar o Coritiba, onde está desde o ano passado, Ney foi técnico do Ipatinga, Flamengo, Atlético Paranaense e Botafogo. Os treinadores que chegam ao comando de grandes clubes brasileiros são bem remunerados: o salário pode chegar à casa dos milhões de reais em um ano. Também há possibilidade de bons ganhos no exterior. O futebol árabe e o japonês, por exemplo, têm historicamente grande apreço por treinadores brasileiros.
Chegar a esse patamar é difícil, pois trata-se de um mercado disputado. ''Para quem tem esse perfil e consegue entrar nesse círculo reduzido, é um bom negócio. Além de você se tornar um profissional valorizado, é um mercado de poucos nomes. Até chegar em um nível 'top' e ser disputado por equipes de Série A, é um longo caminho. Às vezes, além da capacitação, tem que ter persistência. Para trabalhar no profissional hoje, atuei 13 anos em categorias de base, onde aprendi muito, coloquei em prática os meus conceitos, minhas metodologias de trabalho. É um caminho árduo. A não ser para aqueles ex-atletas que têm um bom nome e conseguem já pegar de cara uma equipe de ponta. Alguns dão certo, mas a maioria ainda não está preparada para ser treinador'', afirma Ney Franco.
Cuca dá algumas dicas para quem está interessado em seguir a carreira de treinador de futebol. ''É importante gostar do que faz. Futebol sempre foi a minha vida. Além disso, é fundamental sempre procurar conhecimento. Hoje, você tem internet e no futebol você conhece muita gente: você fica sabendo mais sobre treinos, troca informações, se atualiza'', recomenda.
Ney Franco aconselha que, independentemente da formação, uma vivência no meio esportivo colabora. ''Ter experiência como atleta é importante. Não precisa ter sido atleta profissional, mas ajuda ter participado de equipes, competições e treinamentos'', explica o técnico.


