SUA CARREIRA - Do palco aos bastidores
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quem pensa que trabalhar com teatro se resume a atuar nos palcos, está enganado. O mercado exige profissionais das mais diversas áreas, que atuam na iluminação, cenário, figurino, contra-regragem, produção e muito mais. E mesmo quem pretende trabalhar como ator, lições de maquiagem, voz e expressão corporal são fundamentais para um bom desenvolvimento nas montagens teatrais.
No Paraná, o mercado para estes profissionais cresceu. O número de teatros e montagens aumentou, o que ocasionou em oferta de mão de obra especializada, tanto para atores como para técnicos. E essa demanda tem estimulado a formação. No último vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, aproximadamente 150 pessoas disputaram as 45 vagas do recém criado curso superior de Tecnologia em Produção Cênica - Formação de Atores. São três anos de estudo e as aulas da primeira turma começaram em janeiro deste ano.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o curso de graduação em Artes Cênicas existe desde 1998 e atrai pessoas interessadas em aprender técnicas de interpretação. Após finalizar os quatro anos de estudo, o aluno estará habilitado tanto para atuar em televisão, cinema, publicidade e teatro, como para dar aulas e realizar pesquisas na área.
Já no cronograma da UFPR, os alunos estudam produção cultural, direção, cenografia, indumentária, sonoplastia, teatro de bonecos e formas animadas, interpretação, improvisação, entre outros assuntos. Tudo para formar um profissional que entenda como funciona todas as partes do teatro. ''Tem aluno que não se identifica com o palco, mas adora os bastidores. Então ele também se encontra no curso'', explica o professor e coordenador Alaor de Carvalho.
Até o ano passado a instituição oferecia o curso Técnico de Produção Cênica, criado em 1996, com duração de dois anos. Com o projeto do Ministério da Educação em levar os cursos técnicos para o Instituto Federal de Educação, a universidade decidiu ampliar a área de pesquisa e transformá-lo em curso superior de tecnologia.
O perfil do aluno de teatro é variado, mas a maioria busca com mais afinco a parte de interpretação. Alguns assistiram uma peça ou participaram de uma oficina de teatro e se interessaram pelo universo dos palcos. Outros já têm 40, 50 anos de idade e querem voltar a estudar, então buscam algo ligado às artes. ''Tem gente que ama o teatro mas só agora teve a oportunidade de estudar. Temos uma aluna de 51 anos'', comenta Carvalho.
Em Londrina, 66% das pessoas que prestaram o último vestibular para o curso de Artes Cênicas eram mulheres. Entre os 139 candidatos para as 40 vagas, 60% tinham entre 16 e 18 anos. A grande maioria, 104 pessoas, tinha como objetivo trabalhar como ator. Apenas dois manifestaram como meta principal o intuito de atuar na área acadêmica. Além das disciplinas tradicionais, o programa da UEL também prevê conhecimentos em crítica teatral.
Diversidade cultural facilita empregos
A diversidadade cultural presente no Paraná pode ajudar os profissionais formados em Artes Cênicas na hora de buscar um emprego. O Estado possui um movimento grande entre os artistas. O próprio Festival de Curitiba trouxe visibilidade ao Paraná, opina Alaor de Carvalho, professor e coordenador do curso da Universidade Federal do Paraná. Em Londrina também é realizado anualmente o Festival Internacional de Teatro.
Os formandos em Artes Cênicas poderão atuar em peças teatrais, filmes, programas de televisão, peças publicitárias, projetos sociais, oficinas e também em empresas privadas que desenvolvem atividades artísticas com os funcionários. Após formados, os alunos recebem automaticamente o registro do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Paraná (Sated-PR).
Como as disciplinas são semestrais, o curso da UFPR realiza provas públicas a cada seis meses. Assim, os alunos estão em constante produção teatral. O mercado também se abre para deficientes físicos. Atualmente um jovem cego está entre os alunos. A atriz Danieli Haloten, que atualmente integra o elenco da novela Caras & Bocas, da Rede Globo, também é deficiente visual e passou pelo curso da UFPR. (D.C.)


