Curitiba - Quem pensa que trabalhar com teatro se resume a atuar nos palcos, está enganado. O mercado exige profissionais das mais diversas áreas, que atuam na iluminação, cenário, figurino, contra-regragem, produção e muito mais. E mesmo quem pretende trabalhar como ator, lições de maquiagem, voz e expressão corporal são fundamentais para um bom desenvolvimento nas montagens teatrais.
No Paraná, o mercado para estes profissionais cresceu. O número de teatros e montagens aumentou, o que ocasionou em oferta de mão de obra especializada, tanto para atores como para técnicos. E essa demanda tem estimulado a formação. No último vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, aproximadamente 150 pessoas disputaram as 45 vagas do recém criado curso superior de Tecnologia em Produção Cênica - Formação de Atores. São três anos de estudo e as aulas da primeira turma começaram em janeiro deste ano.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o curso de graduação em Artes Cênicas existe desde 1998 e atrai pessoas interessadas em aprender técnicas de interpretação. Após finalizar os quatro anos de estudo, o aluno estará habilitado tanto para atuar em televisão, cinema, publicidade e teatro, como para dar aulas e realizar pesquisas na área.
Já no cronograma da UFPR, os alunos estudam produção cultural, direção, cenografia, indumentária, sonoplastia, teatro de bonecos e formas animadas, interpretação, improvisação, entre outros assuntos. Tudo para formar um profissional que entenda como funciona todas as partes do teatro. ''Tem aluno que não se identifica com o palco, mas adora os bastidores. Então ele também se encontra no curso'', explica o professor e coordenador Alaor de Carvalho.
Até o ano passado a instituição oferecia o curso Técnico de Produção Cênica, criado em 1996, com duração de dois anos. Com o projeto do Ministério da Educação em levar os cursos técnicos para o Instituto Federal de Educação, a universidade decidiu ampliar a área de pesquisa e transformá-lo em curso superior de tecnologia.
O perfil do aluno de teatro é variado, mas a maioria busca com mais afinco a parte de interpretação. Alguns assistiram uma peça ou participaram de uma oficina de teatro e se interessaram pelo universo dos palcos. Outros já têm 40, 50 anos de idade e querem voltar a estudar, então buscam algo ligado às artes. ''Tem gente que ama o teatro mas só agora teve a oportunidade de estudar. Temos uma aluna de 51 anos'', comenta Carvalho.
Em Londrina, 66% das pessoas que prestaram o último vestibular para o curso de Artes Cênicas eram mulheres. Entre os 139 candidatos para as 40 vagas, 60% tinham entre 16 e 18 anos. A grande maioria, 104 pessoas, tinha como objetivo trabalhar como ator. Apenas dois manifestaram como meta principal o intuito de atuar na área acadêmica. Além das disciplinas tradicionais, o programa da UEL também prevê conhecimentos em crítica teatral.


Di­ver­si­da­de cul­tu­ral fa­ci­li­ta em­pre­gos

  A di­ver­si­da­da­de cul­tu­ral pre­sen­te no Pa­ra­ná po­de aju­dar os pro­fis­sio­nais for­ma­dos em Ar­tes Cê­ni­cas na ho­ra de bus­car um em­pre­go. ‘‘O Es­ta­do pos­sui um mo­vi­men­to gran­de en­tre os ar­tis­tas. O pró­prio Fes­ti­val de Cu­ri­ti­ba trou­xe vi­si­bi­li­da­de ao ­Paranᒒ, opi­na ­Alaor de Car­va­lho, pro­fes­sor e coor­de­na­dor do cur­so da Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral do Pa­ra­ná. Em Lon­dri­na tam­bém é rea­li­za­do anual­men­te o Fes­ti­val In­ter­na­cio­nal de Tea­tro.
  Os for­man­dos em Ar­tes Cê­ni­cas po­de­rão ­atuar em pe­ças tea­trais, fil­mes, pro­gra­mas de te­le­vi­são, pe­ças pu­bli­ci­tá­rias, pro­je­tos so­ciais, ofi­ci­nas e tam­bém em em­pre­sas pri­va­das que de­sen­vol­vem ati­vi­da­des ar­tís­ti­cas com os fun­cio­ná­rios. ­Após for­ma­dos, os alu­nos re­ce­bem au­to­ma­ti­ca­men­te o re­gis­tro do Sin­di­ca­to dos Ar­tis­tas e Téc­ni­cos em Es­pe­tá­cu­los de Di­ver­sões do Pa­ra­ná (Sa­ted-PR).
  Co­mo as dis­ci­pli­nas são se­mes­trais, o cur­so da ­UFPR rea­li­za pro­vas pú­bli­cas a ca­da ­seis me­ses. As­sim, os alu­nos es­tão em cons­tan­te pro­du­ção tea­tral. O mer­ca­do tam­bém se ­abre pa­ra de­fi­cien­tes fí­si­cos. Atual­men­te um jo­vem ce­go es­tá en­tre os alu­nos. A ­atriz Da­nie­li Ha­lo­ten, que atual­men­te in­te­gra o elen­co da no­ve­la Ca­ras & Bo­cas, da Re­de Glo­bo, tam­bém é de­fi­cien­te vi­sual e pas­sou pe­lo cur­so da ­UFPR. (D.C.)

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