SUA CARREIRA - Defina seu futuro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de agosto de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Esqueça os tradicionais cursos de Medicina, Engenharia e Direito. Atualmente, o jovem que vai prestar vestibular - e, portanto, deve decidir o seu futuro - tem uma grande variedade de opções de cursos de graduação. As ofertas são inúmeras e, além dos já consolidados, há opções como: Produção de Cachaça, Irrigação e Drenagem, Logística e Estradas (veja quadro). A tendência é formar profissionais mais especialistas - sem abandonar as formações generalistas - respeitando as especificidades de cada região.
A FOLHA estréia hoje uma nova coluna sobre ''Sua Carreira''. Duas vezes por semana o leitor terá um conhecimento amplo sobre diversas profissões, com as perspectivas do mercado de trabalho. A política de novos cursos universitários e de instalação de graduações já consolidadas é definida pelo Ministério da Educação (MEC). Sobre a formação especialista, Andréa de Faria Barros Andrade, diretora de Regulação e Supervisão da Educação Profissional do MEC, cita como exemplo as especialidades médicas.
''Há alguns anos existia apenas o ortopedista, enquanto atualmente há especialistas somente em um determinado osso do corpo e o mesmo tem ocorrido com as graduações'', diz Andréa. Além disso, a vocação regional também é considerada. É o caso do curso de ''Viticultura e Enologia'', ofertado apenas em Bento Gonçalves (RS), polo nacional produtor de vinhos; e de ''Conservação e Restauro'', existente em Ouro Preto (MG). Ela explica que a aprovação de uma nova gradução é baseada em três pilares: currículo apresentado, corpo docente formado e infraestrutura oferecida pela universidade.
Atualmente constam no Catálogo Nacional de Cursos - organizado pelo MEC - 102 opções. ''As ofertas são regionalizadas. Gera-se a demanda do mercado, cria-se o ciclo e assim as possibilidades; o MEC só inclui as ofertas no Catálogo'', a diretora do MEC. Além disso, o ministério cria um comitê especialista para discutir a criação do curso, com profissionais que avaliam os prós e os contras da proposta, que só é aceita se houver consenso. Como essas discussões demandam algum tempo, há uma ''fila'' para aprovações de novos cursos, alguns que inclusive já funcionam em caráter experimental.
É o caso de ''Estética'', que embora ainda não tenha sido aprovado pelo MEC, há cerca de 30 cursos em funcionamento em todo o País. ''Muitas das novas graduações decorrem do desenvolvimento ou do avanço tecnológico. Por isso, algumas áreas têm necessidade de aprofundar esse conhecimento'', observa Andréa. Apesar disso, ela acrescenta que o mercado de trabalho não tem trocado a formação generalista. ''Há necessidade das duas formações (especialistas e generalistas), há espaço para os dois profissionais'', salienta.
O consultor empresarial Wellington Moreira, especialista em gestão de carreiras, observa que as pessoas têm buscado especialização cada vez mais cedo, mas sem ter o olhar generalista da profissão. ''As pessoas têm que decidir muito cedo, aos 17, 18 anos, e não têm maturidade, mas o mercado hoje é mutável e transformacional'', comenta. Na sua avaliação, inclusive, seria mais interessante obter o ''olhar generalista'' da profissão, ou seja, conhecer o todo para depois buscar alguma especialidade que vá de encontro à demanda do mercado e aos valores pessoais do profissional.
Conheça a rotina da profissão antes de decidir uma carreira
Antes de decidir qual profissão optar por um determinado curso de graduação é importante ter em mente alguns quesitos. O consultor empresarial Wellington Moreira, especialista em gestão de carreiras, observa que a pessoa deve escolher uma profissão baseada em seus valores pessoais e suas aptidões. Também é importante conhecer um pouco da rotina da carreira e do mercado de trabalho. A pessoa deve conhecer exemplos de profissionais bem sucedidos e de mau sucedidos para que esteja ciente das dificuldades, salienta.
Outro passo é conversar com um profissional que esteja concluindo o curso universitário ou que está ingressando no mercado de trabalho e com as entidades de classes. No geral as pessoas são pouco curiosas para tomar uma decisão que vai impactar toda a sua vida, diz. A curiosidade é importante para que o pretendente conheça a rotina diária de tarefas da carreira porque, na maioria dos casos, a realidade do mercado de trabalho é bem distante da realidade acadêmica.
As instituições acadêmicas estão tentando se aproximar do mercado de trabalho, mas nem sempre na velocidade necessária. Se bem que a função da academia é ensinar a pensar, os cursos técnicos ensinam a fazer, salienta Moreira. Em caso de dúvidas, os profissionais devem optar pelas profissões generalistas que, segundo o consultor, possibilitam gui-nadas ou mudanças de trajetos durante a rotina profissional. Ele aconselha também os universitários a não terem medo de mudar de curso, caso ele reconheça que não fez a melhor opção.
Durante a escolha de um curso de pós-graduação, é preciso analisar as oportunidades do mercado de trabalho com a escolha de bons cursos que garantam a empregabilidade. Tem empregabilidade hoje quem sabe fazer alguma coisa que ninguém mais faz. É ter um diferencial, explica. O consultor lembra que, cada vez menos, as pessoas têm apenas uma profissão durante a vida. A carreira é uma somatória de profissões que a pessoa atua. As pessoas estão vivendo mais e, por isso, vão buscando novas alternativas, comenta.
Sobre a frequência em um curso de línguas, ele diz que saber falar outros idiomas proporciona novas oportunidades de trabalho. No entanto, a sua importância vai depender da carreira que a pessoa quer seguir e do dia-a-dia da sua profissão. Experiências no exterior também são bem-vindas. A pessoa amadurece, aprende a se virar e é valorizada pelo mercado, principalmente, para a contratação de trainees, diz ele.
Técnicos
Os cursos técnicos também são uma boa alternativa para jovens que precisam começar a trabalhar mais cedo ou que têm dificuldades para entrar no mercado de trabalho. A capacitação pode ser feita em dois anos ou juntamente com o Ensino Médio. O curso técnico ensina o jovem a fazer. Com 19 anos a pessoa vai ter uma profissão, observa Wellington. Ele acrescenta que a demanda é tão grande que algumas empresas não conseguem preencher suas vagas, principalmente, as indústrias. Se o mercado de trabalho é amplo, também há dificuldades. Embora a remuneração seja alta (acima da média do mercado de trabalho), não cresce, é limitada, observa. (F.M.)


