Esqueça os tradicionais cursos de Medicina, Engenharia e Direito. Atualmente, o jovem que vai prestar vestibular - e, portanto, deve decidir o seu futuro - tem uma grande variedade de opções de cursos de graduação. As ofertas são inúmeras e, além dos já consolidados, há opções como: Produção de Cachaça, Irrigação e Drenagem, Logística e Estradas (veja quadro). A tendência é formar profissionais mais especialistas - sem abandonar as formações generalistas - respeitando as especificidades de cada região.

A FOLHA estréia hoje uma nova coluna sobre ''Sua Carreira''. Duas vezes por semana o leitor terá um conhecimento amplo sobre diversas profissões, com as perspectivas do mercado de trabalho. A política de novos cursos universitários e de instalação de graduações já consolidadas é definida pelo Ministério da Educação (MEC). Sobre a formação especialista, Andréa de Faria Barros Andrade, diretora de Regulação e Supervisão da Educação Profissional do MEC, cita como exemplo as especialidades médicas.

''Há alguns anos existia apenas o ortopedista, enquanto atualmente há especialistas somente em um determinado osso do corpo e o mesmo tem ocorrido com as graduações'', diz Andréa. Além disso, a vocação regional também é considerada. É o caso do curso de ''Viticultura e Enologia'', ofertado apenas em Bento Gonçalves (RS), polo nacional produtor de vinhos; e de ''Conservação e Restauro'', existente em Ouro Preto (MG). Ela explica que a aprovação de uma nova gradução é baseada em três pilares: currículo apresentado, corpo docente formado e infraestrutura oferecida pela universidade.

Atualmente constam no Catálogo Nacional de Cursos - organizado pelo MEC - 102 opções. ''As ofertas são regionalizadas. Gera-se a demanda do mercado, cria-se o ciclo e assim as possibilidades; o MEC só inclui as ofertas no Catálogo'', a diretora do MEC. Além disso, o ministério cria um comitê especialista para discutir a criação do curso, com profissionais que avaliam os prós e os contras da proposta, que só é aceita se houver consenso. Como essas discussões demandam algum tempo, há uma ''fila'' para aprovações de novos cursos, alguns que inclusive já funcionam em caráter experimental.

É o caso de ''Estética'', que embora ainda não tenha sido aprovado pelo MEC, há cerca de 30 cursos em funcionamento em todo o País. ''Muitas das novas graduações decorrem do desenvolvimento ou do avanço tecnológico. Por isso, algumas áreas têm necessidade de aprofundar esse conhecimento'', observa Andréa. Apesar disso, ela acrescenta que o mercado de trabalho não tem trocado a formação generalista. ''Há necessidade das duas formações (especialistas e generalistas), há espaço para os dois profissionais'', salienta.

O consultor empresarial Wellington Moreira, especialista em gestão de carreiras, observa que as pessoas têm buscado especialização cada vez mais cedo, mas sem ter o olhar generalista da profissão. ''As pessoas têm que decidir muito cedo, aos 17, 18 anos, e não têm maturidade, mas o mercado hoje é mutável e transformacional'', comenta. Na sua avaliação, inclusive, seria mais interessante obter o ''olhar generalista'' da profissão, ou seja, conhecer o todo para depois buscar alguma especialidade que vá de encontro à demanda do mercado e aos valores pessoais do profissional.



Conheça a rotina da profissão antes de decidir uma carreira

  An­tes de de­ci­dir ­qual pro­fis­são op­tar por um de­ter­mi­na­do cur­so de gra­dua­ção é im­por­tan­te ter em men­te al­guns que­si­tos. O con­sul­tor em­pre­sa­rial Wel­ling­ton Mo­rei­ra, es­pe­cia­lis­ta em ges­tão de car­rei­ras, ob­ser­va que a pes­soa de­ve es­co­lher uma pro­fis­são ba­sea­da em ­seus va­lo­res pes­soais e ­suas ap­ti­dões. Tam­bém é im­por­tan­te co­nhe­cer um pou­co da ro­ti­na da car­rei­ra e do mer­ca­do de tra­ba­lho. ‘‘A pes­soa de­ve co­nhe­cer exem­plos de pro­fis­sio­nais bem su­ce­di­dos e de mau su­ce­di­dos pa­ra que es­te­ja cien­te das ­dificuldades’’, sa­lien­ta.
  Ou­tro pas­so é con­ver­sar com um pro­fis­sio­nal que es­te­ja con­cluin­do o cur­so uni­ver­si­tá­rio ou que es­tá in­gres­san­do no mer­ca­do de tra­ba­lho e com as en­ti­da­des de clas­ses. ‘‘No ge­ral as pes­soas são pou­co cu­rio­sas pa­ra to­mar uma de­ci­são que vai im­pac­tar to­da a sua ­vida’’, diz. A cu­rio­si­da­de é im­por­tan­te pa­ra que o pre­ten­den­te co­nhe­ça a ro­ti­na diá­ria de ta­re­fas da car­rei­ra por­que, na maio­ria dos ca­sos, a rea­li­da­de do mer­ca­do de tra­ba­lho é bem dis­tan­te da rea­li­da­de aca­dê­mi­ca.
  ‘‘As ins­ti­tui­ções aca­dê­mi­cas es­tão ten­tan­do se apro­xi­mar do mer­ca­do de tra­ba­lho, mas nem sem­pre na ve­lo­ci­da­de ne­ces­sá­ria. Se bem que a fun­ção da aca­de­mia é ‘en­si­nar a ­pensar’, os cur­sos téc­ni­cos en­si­nam a ­fazer’’, sa­lien­ta Mo­rei­ra. Em ca­so de dú­vi­das, os pro­fis­sio­nais de­vem op­tar pe­las pro­fis­sões ge­ne­ra­lis­tas que, se­gun­do o con­sul­tor, pos­si­bi­li­tam ‘‘­gui-nadas’’ ou mu­dan­ças de tra­je­tos du­ran­te a ro­ti­na pro­fis­sio­nal. Ele acon­se­lha tam­bém os uni­ver­si­tá­rios a não te­rem me­do de mu­dar de cur­so, ca­so ele re­co­nhe­ça que não fez a me­lhor op­ção.
  Du­ran­te a es­co­lha de um cur­so de pós-gra­dua­ção, é pre­ci­so ana­li­sar as opor­tu­ni­da­des do mer­ca­do de tra­ba­lho com a es­co­lha de ­bons cur­sos que ga­ran­tam a em­pre­ga­bi­li­da­de. ‘‘Tem em­pre­ga­bi­li­da­de ho­je ­quem sa­be fa­zer al­gu­ma coi­sa que nin­guém ­mais faz. É ter um ­diferencial’’, ex­pli­ca. O con­sul­tor lem­bra que, ca­da vez me­nos, as pes­soas têm ape­nas uma pro­fis­são du­ran­te a vi­da. ‘‘A car­rei­ra é uma so­ma­tó­ria de pro­fis­sões que a pes­soa ­atua. As pes­soas es­tão vi­ven­do ­mais e, por is­so, vão bus­can­do no­vas ­alternativas’’, co­men­ta.
  So­bre a fre­quên­cia em um cur­so de lín­guas, ele diz que sa­ber fa­lar ou­tros idio­mas pro­por­cio­na no­vas opor­tu­ni­da­des de tra­ba­lho. No en­tan­to, a sua im­por­tân­cia vai de­pen­der da car­rei­ra que a pes­soa ­quer se­guir e do dia-a-dia da sua pro­fis­são. Ex­pe­riên­cias no ex­te­rior tam­bém são bem-vin­das. ‘‘A pes­soa ama­du­re­ce, apren­de a se vi­rar e é va­lo­ri­za­da pe­lo mer­ca­do, prin­ci­pal­men­te, pa­ra a con­tra­ta­ção de ­trainees’’, diz ele.
Téc­ni­cos
  Os cur­sos téc­ni­cos tam­bém são uma boa al­ter­na­ti­va pa­ra jo­vens que pre­ci­sam co­me­çar a tra­ba­lhar ­mais ce­do ou que têm di­fi­cul­da­des pa­ra en­trar no mer­ca­do de tra­ba­lho. A ca­pa­ci­ta­ção po­de ser fei­ta em ­dois ­anos ou jun­ta­men­te com o En­si­no Mé­dio. ‘‘O cur­so téc­ni­co en­si­na o jo­vem a fa­zer. Com 19 ­anos a pes­soa vai ter uma ­profissão’’, ob­ser­va Wel­ling­ton. Ele acres­cen­ta que a de­man­da é tão gran­de que al­gu­mas em­pre­sas não con­se­guem preen­cher ­suas va­gas, prin­ci­pal­men­te, as in­dús­trias. Se o mer­ca­do de tra­ba­lho é am­plo, tam­bém há di­fi­cul­da­des. ‘‘Em­bo­ra a re­mu­ne­ra­ção se­ja al­ta (aci­ma da mé­dia do mer­ca­do de tra­ba­lho), não cres­ce, é ­limitada’’, ob­ser­va. (F.M.)

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