Curitiba - A imagem de credibilidade e confiança é uma marca dos bombeiros. Todo mundo conhece ou ouviu falar de alguém que, algum dia na infância, disse que gostaria de ser bombeiro quando crescesse. O desejo de salvar vidas é nobre, mas nem sempre essa virtude é traduzida em um bom salário. No caso dos bombeiros, depende. Pode-se progredir na carreira, chegar a oficial, ser comandante e ter excelentes salários, que passa dos R$ 10 mil mensais.
O Corpo de Bombeiros, assim como toda instituição militar, carrega o peso do tradicionalismo imposto pela rígida disciplina. Apesar disso, as mudanças têm marcado a história desses profissionais. A principal delas ocorreu em 1.990 e aumentou o número de funções atribuídas a eles.
Com a criação do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), naquele ano, os bombeiros acrescentaram em sua lista de trabalho o atendimento pré-hospitalar. Hoje eles atendem muito mais vítimas de acidentes do que apagam incêndios. O propósito continua o mesmo. Salvar vidas.
''A população cresceu e, em contrapartida, aumentou o número de carros e o de acidentes, assim como a negligência das pessoas'', afirmou o major Carlos Alberto Mascarenhas Machado, hoje lotado no setor de relações públicas e projetos do Corpo de Bombeiros.
A média diária no Paraná é entre 370 e 420 ocorrências dos bombeiros. ''A maioria é de atendimento pré-hospitalar. Antes o treinamento era exclusivamente para o combate de incêndio. Hoje o bombeiro é um socorrista'', contou.
Com 28 anos de serviços prestados, o major presenciou inúmeras mudanças na corporação e no ofício. Entre elas a evolução tecnológica dos equipamentos utilizados.
O capacete, botas, toda a roupa de combate de incêndio, hoje, garante a integridade física dos bombeiros. Há menos profissionais feridos em serviço atualmente. ''Usavámos um macaco hidráulico na década de 80 para tirar vítimas presas. Agora temos o desencarcerador'', relatou.
Mas não são só as mudanças de função e de tecnologias utilizadas que caracterizam a história da corporação. Diferente de quando a profissão iniciou no Paraná, hoje mulheres podem ser bombeiros. As baixinhas também já foram barradas. Não era permitido mulheres com menos de 1,60 m.
Baixinhas ou altões. Hoje não importa. Todos têm que estar com a preparação física em dia. Para isso, diversas academias estão espalhadas pelos 48 quartéis de bombeiros do Paraná. ''Fazemos até trabalho com a terceira idade. Eles vêm aqui duas vezes por semana para fazer educação física, yoga...'', comentou o oficial. Todos que ingressam fazem tudo durante cinco anos, de combater incêndio a salva-vidas no litoral e na região dos lagos artificiais do Paraná.
Por essas inúmeras funções, antes de entrar na corporação, é preciso ter certeza absoluta de que deseja mesmo trabalhar como bombeiro. ''A pessoa chega aqui e acha que serve para a profissão, mas é preciso muita resistência'', diz o major.
Machado lembrou que uma vaga entre os bombeiros está muito concorrida. Para ingressar como soldado é preciso, no mínimo ter concluído o ensino médio. Mas já há muitos, segundo ele, com terceiro grau completo prestando o concurso para bombeiro.


Profissão atrai também as mulheres
  Cu­ri­ti­ba – Uma pro­fis­são em que a pre­sen­ça fe­mi­ni­na não exis­tia há pou­cos ­anos e nun­ca fez par­te dos so­nhos das me­ni­nas. ‘‘A mu­lher não tem por­que di­zer: ‘Sem­pre ­quis ser ­bombeiro’’’, afir­mou a sol­da­do Ca­mi­la Lud­wig, 25 ­anos, do Cor­po de Bom­bei­ros, se re­fe­rin­do às as­pi­ra­ções de me­ni­nos na in­fân­cia. Ser bom­bei­ro nun­ca foi um ob­je­ti­vo de­la quan­do crian­ça.
  A ­ideia cres­ceu de­pois de adul­ta, mas ela não es­con­de a in­fluên­cia mi­li­tar den­tro da fa­mí­lia. O avô e o pai ­eram da Po­lí­cia Mi­li­tar (PM) e ti­ve­ram sua par­ce­la de in­fluên­cia. Ela le­va o so­bre­no­me do avô es­cri­to no bi­ri­ba, um ti­po de cra­chá de iden­ti­fi­ca­ção pre­so com vel­cro na far­da, uma for­ma de ho­me­na­geá-lo.
  For­ma­da em Edu­ca­ção Fí­si­ca, em 2007, a bom­bei­ra, tam­bém tria­tle­ta, te­ve que pa­rar a fa­cul­da­de pa­ra es­tu­dar pa­ra o con­cur­so de sol­da­do. A ex­pe­riên­cia em au­las do seu cur­so aju­da­ram a mos­trar o ca­mi­nho do aten­di­men­to pré-hos­pi­ta­lar. Foi quan­do ela re­sol­veu sal­var vi­das.
  ‘‘Gos­ta­va mui­to da par­te de aten­di­men­to, sem con­tar que é bom es­tar em um em­pre­go ­concursado’’, con­tou.
  ­Após in­gres­sar na aca­de­mia, a jo­vem le­vou um cho­que com a fir­me­za da dis­ci­pli­na im­pos­ta. ‘‘Mas aju­da na or­ga­ni­za­ção do ­trabalho’’, re­la­tou. Tra­ba­lho es­se que a dei­xou ­mais fir­me e me­nos im­pres­sio­na­da com as tra­gé­dias que en­fren­ta no dia a dia. ‘‘Vo­cê co­me­ça a não ter tan­ta dó das ­coisas’’.
  Dó que mui­tos dos ho­mens não têm ao brin­car so­bre as mu­lhe­res es­ta­rem em um ser­vi­ço em que, his­to­ri­ca­men­te, foi ape­nas mas­cu­li­no. ‘‘Da mes­ma for­ma que a gen­te é bem re­ce­bi­do na aca­de­mia, sem­pre tem al­guém que é con­tra. Nun­ca so­fri pre­con­cei­to, mas não in­fluen­cia em ­nada’’. As brin­ca­dei­ras já pre­sen­cia­das com ou­tras co­le­gas, Ca­mi­la acre­di­ta que são as mes­mas da so­cie­da­de em ge­ral. ‘‘Há em to­dos os ­lugares’’, co­men­tou.

Sa­lá­rios
  Se­gun­do o ma­jor Mas­ca­re­nhas, o pa­drão ­atual do bom­bei­ro pa­ra­naen­se é a clas­se mé­dia. Um alu­no-sol­da­do re­ce­be qua­se R$ 1 mil. ­Após for­ma­ção de pou­co ­mais de um ano, o sol­da­do, da Po­lí­cia Mi­li­tar e dos Bom­bei­ros, te­rá um sa­lá­rio de pou­co ­mais de R$ 1,5 mil com gra­ti­fi­ca­ções.
  Pa­ra a sol­da­do, o sa­lá­rio do bom­bei­ro po­de­ria ser ­maior de­vi­do a ex­po­si­ção que o em­pre­go a co­lo­ca, mas ela acre­di­ta que é as­sim em to­das as pro­fis­sões. ‘‘A gen­te sem­pre ­acha que o sa­lá­rio tem que ­melhorar’’, con­cluiu. (D.R.)


Como entrar no Corpo de Bombeiro:
Para oficial:
Vestibular da UFPR - Após passar pelo vestibular, o candidato terá mais um exame de saúde, um físico e de habilidades técnicas. Em seguida, serão três anos na academia militar, de onde sairá aspirante a oficial. No próximo vestibular da UFPR, haverá oito vagas para bombeiros, quatro para homens e quatro para mulheres.

Para soldado:
Concurso estadual - Ao conseguir passar pelo teste teórico, o candidato tem os mesmos testes que o vestibulando. Entretanto, o curso é de nove meses de teoria e mais alguns meses de estágio. Não há previsão de um novo concurso.

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