Engana-se quem pensa que a principal atividade desenvolvida por biólogos é a docência. Pesquisas genéticas, análises clínicas, ecologia, microbiologia e oceanografia são apenas algumas - das mais de 50 - áreas de atuação que a profissão oferece. ''O profissional precisa enxergar a vida em todos os seus níveis de organização, do molecular ao ecossistema. Não basta gostar de plantas e animais'', salienta o professor Álvaro Lorencini Júnior, coordenador do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Além disso, o profissional está ligado diretamente à evolução da ciência. Clonagem, reprodução assistida, transgênicos, melhoramento genético de plantas, micro-organismos e seres humanos são algumas das pesquisas que podem ser desenvolvidas pelos biólogos. Essa foi a área de atuação escolhida pela bióloga Gisele Nóbrega, que também é professora da UEL. Em sua tese de doutorado, ela estudou formas de alterar geneticamente as leveduras para melhorar a produção de etanol.
''Quando fazemos uma modificação no DNA, temos como objetivo a melhoria. Nem sempre é possível, mas é um caminho para que outros pesquisadores consigam encontrar soluções'', afirma Gisele. O coordenador do curso de Ciências Biológicas da UEL, Álvaro Lorencini Júnior, acrescenta que há espaço no mercado de trabalho em indústrias de pasteurização e fermentação - como é o caso da produção de iogurtes, vinagres, vinhos e cervejas -, no gerenciamento e na reciclagem de produtos, em institutos ambientais, em parques, reservas e zoológicos e, até mesmo, com ecoturismo.
Em conjunto com outros profissionais, o biólogo também pode atuar na área de saúde pública e ambiental. ''Ele é responsável por estudar as 'situações ocultas', que antecedem uma epidemia de criptococose ou dengue, por exemplo'', afirma João Antonio Zequi, coordenador do curso de Ciências Biológicas na Unifil. Uma área que começa a se expandir para esses profissionais é a de estudos de impacto ambiental. Muitos biólogos são contratados para prestar consultoria e fazer pesquisas para indústrias. ''A legislação atual está mais rígida e as pessoas estão mais preocupadas com os impactos que podem causar no meio ambiente'', acredita Gisele Nóbrega.
Os concursos públicos são outra opção de emprego. De acordo com os professores, recentemente estão sendo abertas muitas vagas para biólogos. E essa é uma grande chance também para os recém-formados. O Conselho Federal de Biologia sugere que o salário varie de R$ 2.790 (para 30 horas semanais) a R$ 3.952,50 (40 horas semanais). Porém, os valores dependem da área de atuação do profissional e da sua formação. Cursos de pós-graduação como especialização, mestrado e doutorado, fazem diferença na hora de competir por melhores empregos e salários, já que o biólogo sai da universidade com uma visão bastante geralista da profissão.
''Sempre digo para os alunos que eles devem continuar estudando para se diferenciarem no mercado ou serão apenas um biólogo como qualquer outro'', diz João Zequi. Mesmo durante o curso, é possível que o estudante adquira experiência em algumas áreas através de projetos de pesquisa e estágios. De acordo com Gisele Nóbrega, o aluno que se dedica a um único projeto durante o curso, sai da universidade especialista e terá vantagens quando chegar ao mercado de trabalho.
Para João Zequi, o estudante que pensa em fazer ciências biológicas deve entender que seu papel é garantir a qualidade de vida da sociedade. ''Tem que gostar de vida, de seres vivos e acreditar que todos devem ter conforto da forma que seja menos impactante para o meio ambiente'', afirma.

Curso oferece duas habilitações

  Em Lon­dri­na, ­duas ins­ti­tui­ções ofe­re­cem o cur­so de ciên­cias bio­ló­gi­cas. Na Uni­ver­si­da­de Es­ta­dual de Lon­dri­na (UEL), há a op­ção de for­ma­ção em li­cen­cia­tu­ra ou ba­cha­re­la­do. O ves­ti­bu­lar é o mes­mo e a de­ci­são de ­qual ha­bi­li­ta­ção se­guir é fei­ta du­ran­te a fa­cul­da­de. A du­ra­ção do cur­so é de 4 ­anos, em pe­río­do in­te­gral. Já no Cen­tro Uni­ver­si­tá­rio Fi­la­dél­fia (Uni­fil) só há a op­ção de li­cen­cia­tu­ra e a du­ra­ção do cur­so tam­bém é de 4 ­anos, no pe­río­do ma­tu­ti­no ou no­tur­no.
  A li­cen­cia­tu­ra ha­bi­li­ta o pro­fis­sio­nal pa­ra ­atuar co­mo pro­fes­sor de en­si­no fun­da­men­tal e mé­dio. O Con­se­lho Fe­de­ral de Bio­lo­gia (­CFBio) não faz dis­tin­ção en­tre o li­cen­cia­do e o ba­cha­rel, por­tan­to, os ­dois po­dem exer­cer to­das as ou­tras fun­ções de um bió­lo­go. Ain­da que a car­ga ho­rá­ria da li­cen­cia­tu­ra, no ca­so da UEL, se­ja um pou­co ­maior, os pro­fes­so­res sem­pre in­cen­ti­vam os alu­nos a fa­zer a ha­bi­li­ta­ção, ­pois as­sim, há ­mais op­ções de tra­ba­lho. ‘‘Ain­da ho­je, há mui­tas va­gas pa­ra le­cio­nar no En­si­no Fun­da­men­tal e Mé­dio, em es­co­las pú­bli­cas e ­privadas’’, jus­ti­fi­ca Ál­va­ro Lo­ren­ci­ni Jú­nior, coor­de­na­dor do cur­so de Ciên­cias Bio­ló­gi­cas da UEL. (C.M.)

mockup