SUA CARREIRA - A praticidade do porta a porta
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Mariana Fabre<BR>Especial para a FOLHA 
Mesmo com o advento de novas formas de consumo que prezam pela rapidez, ainda é grande o número de brasileiros interessados não simplesmente em adquirir um produto, mas que também valorizam o atendimento personalizado oferecido por revendedores autônomos. De acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), esse segmento faturou R$ 11,8 bilhões no primeiro semestre de 2010, o que corresponde a um crescimento de 21,2% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando arrecadou R$ 9,7 bilhões.
Segundo o presidente da ABEVD, Paulo Quaglia, as vendas diretas configuram um segmento importante para a economia do País, pois têm se expandido de forma expressiva desde 2000. Em 2009, por exemplo, o mercado brasileiro de vendas diretas obteve um crescimento de 18,4%, movimentando um volume de R$ 21,8 bilhões.
A revendedora Jaqueline Hagiwara é uma das representantes do principal responsável por esse aumento de vendas, o setor de cuidados pessoais. Itens como maquiagens, cosméticos e perfumes correspondem a 88% das vendas diretas no País, seguidos pelos suplementos nutricionais, com 6%; cuidados do lar, 5%, e serviços e outros, com 1%.
Há pouco mais de um ano, Jaqueline se tornou revendedora com o objetivo de incrementar a renda, mas agora a atividade já é sua prioridade. Formada em marketing, ela conta que já atuou na área, mas estava descontente com o mercado de trabalho tradicional e com o retorno financeiro. Atualmente, ela divide seus horários entre o trabalho como designer de acessórios e revendedora de produtos de uma empresa norte-americana de cosméticos e maquiagem. ''Quando me sugeriram que fosse revendedora, eu não me interessei. Pensei que não tinha a ver comigo e que não teria tempo'', lembra. Mas o interesse pelo setor mudou depois que conseguiu fazer uma grande venda para uma amiga.
Jaqueline passou a fazer parte também de outra estatística, a que aponta o crescimento do número de revendedores cadastrados na ABEVD. De janeiro a junho deste ano, o número de trabalhadores no ramo cresceu 16,7% na comparação com o mesmo período de 2009, passando de 2,255 milhões para 2,631 milhões. Para o presidente da ABEVD, Paulo Quaglia, um dos principais benefícios do segmento é a possibilidade de administração do tempo de trabalho, já que os produtos podem ser comercializados nas horas vagas, como à noite e nos finais de semana.
A flexibilidade de horário nas vendas diretas é uma das principais vantagens apontadas por Jaqueline, que revela fazer muitos atendimentos no período da noite, pois várias clientes trabalham durante o dia e só têm essa disponibilidade de horário. Ela diz sentir-se realizada por não possuir mais chefe e nem precisar bater cartão de ponto no serviço. No sistema, não há a obrigação de se vender determinada quantidade de produtos: o sucesso depende apenas do empenho do próprio revendedor. ''Quero seguir o plano de carreira da empresa e, por isso, eu me esforço, trabalho bastante para ir subindo, tanto que estou para mudar de nível'', comemora.
Jaqueline recebe uma porcentagem de ganhos com a venda dos produtos que varia de 25 a 40%. Além disso, à medida que atinge determinadas metas de vendas e consegue agregar outras revendedoras à sua unidade, ela vai galgando os níveis para crescimento na carreira. Nesses casos, além do lucro com as revendas, existem premiações, que podem chegar a viagens internacionais para realização de cursos e até a um carro cor-de-rosa.
Segundo ela, a característica principal para uma boa revendedora é ter força de vontade. ''Não precisa saber vender, os produtos se vendem sozinhos, principalmente no ramo de cosméticos, que cresce no mundo todo. Como em todo trabalho, a gente encontra obstáculos no meio do caminho, mas não pode desistir. Por isso, é preciso persistência e compromisso, primeiro com você mesmo'', orienta Jaqueline.


