Curitiba - Dar voz a um personagem de desenho ou seriado. Parece loucura, mas para muitos é um sonho possível, graças a cursos para se aprender dublagem. Trata-se de uma arte que exige, acima de tudo, dedicação por parte do ator. O dublador, ao contrário do ator, recebe seu texto minutos antes de entrar em estúdio para gravar. A sua frente apenas uma tela com cenas e um cronômetro, em suas mãos um pedaço de papel contendo o texto a ser lido e as marcações (tempo) para sua fala. Com atenção totalmente voltada para o texto e as cenas, o dublador acaba por imergir em um mundo de sonhos e delírios.
As falas vêm prontas da agência responsável, porém muitas vezes é necessária a improvisação. ''O brasileiro é muito musical, pega sotaques e línguas com facilidade. É comum o ator achar que está falando português, mas quando vai ouvir, acaba percebendo que estava falando em portunhol'', comenta Mônica Plachat, professora do curso de dublagem.
Ao fundo, a única coisa possível de se ouvir são a voz original da cena e as orientações da direção de dublagem. Sotaques, trejeitos são recomendadas deixar de lado, pois podem atrapalhar e causar estranhamento aos ouvidos de quem ouve a fala no final.
Embalada pelo sonho de dublar um personagem de desenho animado, a técnica em música e atual estudante da arte de dublar Isabel Cardoso Colhante saiu de São Paulo e veio à Curitiba onde conheceu o curso e se encantou com a ideia de dar voz a uma personagem. No entanto, Isabel esbarrou em uma das muitas dificuldades da profissão, a necessidade de ser atriz para poder viver da dublagem. Hoje a aluna faz curso de teatro e espera um dia poder atuar profissionalmente como dubladora.
Para alguns dos alunos que fazem parte do curso de dublagem, a ideia de se profissonalizar ainda é distante. A proposta é ''desopilar a cabeça'', como comenta o advogado e aluno do curso, Thiago Faria. Faria procurou o curso para descontrair, e assim poder conviver melhor com o seu atribulado dia a dia na justiça.
A maior das dificuldades para o dublador é acertar o tempo da fala. Os resultados nem sempre são os esperados, mas rende boas risadas e chega a lembrar novelas mexicanas.
Para se profissionalizar, o dublador necessariamente precisa ser ator profissional. ''A DRT é uma exigência da Assossiação dos dubladores e do Saped (Sindicato dos Atores Profissionais e Dubladores) para os maiores de 18 anos'', comenta Mônica.
Paula Peltier procurou o curso por curiosidade. A corretora confessa que seu sonho de criança era dublar o filme infantil da Disney ''A Pequena Sereia''. ''Sabia todas as falas, hoje sei somente as músicas'', lembra.

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