Curitiba - No Brasil, o artista plástico Burle Max é a mais importante referência quando se fala sobre paisagismo. Arquiteto, pintor e multi-talentoso, Max criou uma linguagem moderna para esta arte, que consiste na criação de paisagens e que é traduzida em dezenas de parques e jardins no Brasil e no exterior, e o fizeram ser reconhecido como o maior paisagista do século 20. Mundialmente, no entanto, imagens de castelos e jardins urbanos da França do século XVII são, talvez, a impressão mais forte sobre a importância desse profissional, que busca transformar, com seu trabalho, simples jardins, sacadas e áreas públicas em ambientes bonitos, aconchegantes e, sobretudo, eficientes.
Uma deliberação normativa do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-PR) determina que a a função pode ser exercida tanto por profissionais arquitetos quanto por engenheiro florestal e agrônomo, além de tecnólogo ou técnico de 2º grau destas modalidades. Porém, a falta de uma legislação maior, regulamentando a profissão, abre brechas para que o serviço seja executada por pessoas pouco qualificadas.
''Para ser paisagista é preciso estudar muito, aprender muito, muitas vezes sozinho, porque não há literatura abundante. Não adianta também só saber projetar a iluminação, fazer a decoração. Paisagismo e jardinagem é técnica, a pessoa tem que ter arte, conhecer solo, drenagem, botânica, adubação, pragas'', o engenheiro florestal Gilberto Matter, especializado em paisagismo, dono do Centro de Paisagismo e Jardinagem e há 30 anos no ramo.
Vera Vos, professora no curso de Paisagismo e Design de Jardins do Centro de Educação Profissional de Design, Artes e Profissões (CEPDAP), em Curitiba, destaca que uma das funções do profissional é esclarecer a clientela de que terá um jardim com custos, mas também com benefícios maiores. ''A pessoa tem que ver como um investimento, que terá um jardim feito corretamente e que vai durar'', afirma.
A funcionária pública Mary Padilha conhece bem esta situação. Ela conta que três a quatro vezes chegou a contratar floriculturas para arrumar o jardim da casa, onde mora com o marido e dois filhos pequenos, sempre sem resultados duradouros. Em 2007, contratou os serviços do engenheiro Gilberto Matter. Depois de fazer visitas à casa, estudar o solo, as condições de clima no jardim, ele apresentou um projeto, o que inclui não só o desenho da área, mas também uma apostila para o cliente, explicando todos os itens escolhidos bem como a manutenção do jardim.
''O bom do paisagista é que ele estuda tudo, não tem como dar errado'', conta Mary, que por enquanto fez duas etapas do projeto. Em 2007, fez o jardim que dá acesso à churrasqueira e, ano passado, o jardim da frente da casa. ''O jardim da churrasqueira era horrível. Agora além do visual bonito, tem o lado prático das plantas que estão desenvolvendo. O paisagista também introduziu uma ideologia de usar o jardim, colocou bancos, mesa. Hoje usamos até de noite, com iluminação, para receber amigos ou só para uma refeição nossa. É como uma outra sala de visitas, é uma delícia'', diz Mary, que em breve quer fazer também um projeto para o quintal.
''Paisagismo é sinônimo de qualidade de vida'', resume Matter, explicando que a satisfação do cliente está ligada a ''um pouco de psicologia'' na hora de desenvolver o projeto. ''É preciso saber quantas pessoas moram no local, idade, o estilo de vida, para que quer ter um jardim, enfim, captar os desejos do cliente'', diz.
Identificar as necessidades do cliente é apenas um quesito nos cursos de paisagismo. ''O papel do paisagista é interferir na natureza de modo consciente, sem prejuízo da fauna e da flora local'', afirma. Por isso, além dos desejos do cliente, o aluno também tem que identificar as necessidades do local, a disponibilidade orçamentária, saber fazer leitura da arquitetura da construção, elaborar projetos, além de conhecer botânica, solo, adubação, entre outros itens.
É importante ressaltar, no entanto, que o trabalho envolve 50% de criação mas também 50% de mão de obra, já que cabe ao profissional acompanhar toda a execução da obra. Isso significa que ele será responsável pela contratação das pessoas, compra dos móveis, materiais e plantas utilizadas e coordenação da obra.

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