É uma nova forma de fazer propaganda. Ao invés de anúncios pagos veiculados em canais de televisão, a opção agora é investir em patrocínio de carros de corrida. Os carros em questão são os da Stock Car, a maior categoria do automobilismo brasileiro. E os anunciantes são as indústrias farmacêuticas - cinco no total - que viram no automobilismo uma nova arma para fixar suas marcas junto aos consumidores.
No campeonato deste ano, que realiza domingo sua sexta etapa em Londrina, alguns dos primeiros colocados ostentam marcas de fabricantes de medicamentos. O líder, Cacá Bueno, estampa a Biossintética em sua carenagem. Giuliano Losacco, na quinta posição, exibe o patrocínio da Medley; Antonio Jorge Neto (9 posição) faz propaganda para a Eurofarma e Alceu Feldmann (12 posição) expõe adesivos da Neo Química.
Dois fatores, porém, foram determinantes nessa explosão publicitária, que teve início há cinco anos. De um lado a entrada dos medicamentos genéricos no mercado nacional. Do outro, a ''revitalização'' da Stock, que, além de remodelar os carros, começou a ter algumas de suas etapas transmitidas pela TV Globo.
Institucional - A Medley, por exemplo, está na Stock há quatro anos e afirma que a categoria traz ''retorno institucional'' para a indústria. ''Pelo menos seis corridas da temporada são transmitidas ao vivo pela TV Globo (canal aberto de maior audiência) e pela Sportv (canal de TV a cabo); na segunda-feira é veiculada a reportagem no Bom Dia Brasil (telejornal da TV Globo) e no sábado anterior no Jornal Nacional, além disso ainda há o Esporte Espetacular. Mas ainda há o público que vai aos autódromos'', contabiliza Jairo Yamamoto, presidente da Medley.
Ele acrescenta que o investimento no esporte complementa a ação de marketing desenvolvida pela indústria e ajuda a fixar a marca nos consumidores. No entanto, Yamamoto prefere não divulgar o valor investido por questões estratégicas. O presidente conta que a indústria optou pelo patrocínio desde 2001 porque dois de seus acionistas - Xandy e Guto Negrão - são pilotos. ''Antes a Stock Car era um negócio deles (Xandy e Guto Negrão), hoje devido ao peso e à visibilidade da categoria, a Stock é um negócio da Medley'', afirma.
A entrada das concorrentes fez com que a Neoquímica também investisse no esporte. ''A Medley já patrocinava o automobilismo. Nós entramos porque um piloto goiano nos mostrou a dimensão e o peso da categoria, mas começamos com um patrocínio bem acanhado'', lembra Alexandre Motta, gerente de marketing da Neo Química. Patrocínio que rendeu frutos. No segundo ano de Stock, a indústria aumentou entre 30% e 40% o investimento. Neste ano, a estimativa é que a empresa feche o ano com um patrocínio de R$ 2 milhões, valor sete vezes maior se comparado com o primeiro ano.
''Os resultados vêm da visibilidade da nossa marca, que a torna mais em evidência. Além disso, usamos a Stock Car para conquistar e manter clientes e muitos contratos foram fechados durante as corridas'', argumenta Motta.
Segundo ele, quando há corridas a empresa banca custos de hospedagem e alimentação para seus clientes e familiares da região assistirem ao GP em um espaço reservado apenas para seus convidados. A estimativa é nesta corrida de Londrina entre 600 e 700 pessoas assistam ao GP ''patrocinados'' pela Neo Química.

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