Arquivo FolhaO ministro Antônio Kandir: ‘‘Estamos em estado de leilão’’O governo não conseguirá realizar hoje o leilão de venda do controle da Vale do Rio Doce. O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Demócrito Reinaldo, anunciou ontem que só vai decidir na segunda-feira sobre a ação, movida pelo governo, que pede para centralizar no Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília a discussão de todos os processos contra a venda da Vale. Sem essa decisão, não é possível realizar a venda.
‘‘Estamos em estado de leilão’’, disse o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, ao justificar a manutenção do leilão para hoje. ‘‘Não temos o direito de ser lentos na privatização’’. Ele explicou que o governo não tem condições de prever a decisão do STJ, mas está pronto para vender a Vale assim que possível. ‘‘Esse governo foi eleito para fazer o Estado ficar em suas funções corretas, ou seja, cuidando de saúde, educação e segurança e também para dar mais agilidade à economia’’, lembrou o ministro.
O governo pretende entregar hoje todos os documentos adicionais, pedidos pelo STJ na noite de quarta-feira. ‘‘Não sei se será de manhã ou à tarde, mas assim que tivermos os documentos, os enviaremos ao STJ para que a decisão seja tomada com base no maior número de informações possível’’, disse Kandir.
Porém, o ministro Demócrito Reinaldo não pretende examinar a ação do governo amanhã, mesmo de posse da documentação. Ele afirmou, em entrevista às televisões ontem pela manhã, que dedicará a tarde de hoje à sessão plenária do STJ e a outros despachos de rotina. Levará os documentos para casa e os analisará no final de semana, de modo que somente na segunda-feira deverá ter uma posição sobre o assunto.
Há condições de o leilão ocorrer na segunda-feira, se o ministro Demócrito Reinaldo autorizar o pedido do governo, centralizando as ações contra a venda da Vale no TRF e, ao mesmo tempo, suspender todas as liminares já concedidas em todo o País. Porém, o ministro poderá negar o pedido do governo ou ainda adotar uma decisão intermediária, centralizando as ações mas mantendo as liminares.
Segundo um assessor da área econômica, o governo está preocupado com os efeitos que os sucessivos adiamentos no leilão provocam nas expectativas dos investidores internacionais. ‘‘Toda essa confusão pega mal’’, disse ele. No entanto, o governo já contava com a hipótese do adiamento, uma vez que nas outras privatizações também houve uma série de medidas liminares de última hora tentando sustar a venda. Internamente, a avaliação que se faz é que, apesar da urgência, o adiamento por alguns dias não é prejudicial, desde que o processo não se arraste a ponto de provocar mudanças importantes, como modificar a composição dos consórcios, por exemplo.

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