Agência Estado
De Brasília
Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram anteontem restabelecer sentença de prisão do empresário Abílio Diniz, dono do Grupo Pão de Açúcar, emitida em 1995 pela 2ª Vara da Justiça Federal de São Paulo.
Ele foi condenado a um ano e quatro meses de prisão, acusado de prática de crime contra o sistema financeiro nacional, por causa de uma operação de empréstimo entre empresas do mesmo grupo (Pão de Açúcar), o que é ilegal.
A sentença da 2ª Vara da Justiça Federal paulista havia sido anulada, em 1996, pelo Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo. A decisão desta terça-feira do STJ de restabelecer a punição foi tomada no julgamento de um recurso contra a decisão da 2ª Vara da Justiça Federal. De acordo com o STJ, não cabe mais recurso contra a sentença, mas os advogados do empresário dizem que vão recorrer.
Ontem, Abílio Diniz declarou que recebeu a notícia da decisão do Superior Tribunal Federal com tranquilidade. Foi o que garantiu, pela manhã, em Belo Horizonte, onde esteve para inaugurar o segundo Hipermercado Extra da cidade. ‘‘Estou de consciência tranquila’’, afirmou. ‘‘A verdade será restabelecida.’’ Para o empresário, o caso não está encerrado, como haviam informado os ministros do STF. ‘‘É evidente que cabe recurso’’, alegou. Segundo ele, seus advogados já haviam decidido uma estratégia de defesa.
Diniz disse que há muitas controvérsias no julgamento de que houve um crime contra o sistema financeiro nacional. ‘‘Não houve prejuízo a ninguém e nenhum beneficiado’’, justificou. ‘‘Nunca fomos admoestados ou sequer notificados pelo Banco Central.’’ O empresário disse que tem certeza de não ter cometido nenhuma irregularidade. ‘‘Seguimos as leis desse País.’’ O presidente do Pão de Açúcar foi condenado a 1 ano e 4 meses de prisão pela 2ª Vara da Justiça Federal por ter realizado uma operação de empréstimo de uma instuição financeira do grupo para outra empresa do mesmo grupo, o que é proibido pela legislação brasileira.
Irritado com o assédio da imprensa, Abílio Diniz lembrou que outros dirigentes de grandes grupos já responderam processos semelhantes e foram absolvidos. ‘‘Por que eu sou condenado?’’, questionou, irônico. ‘‘Porque dou Ibope’’, respondeu.

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