Maior opositor ao ‘‘Consenso de Washington’’ sai em dezembro, após muita controvérsia
RICHARD WOLFFE
de Washington

Joseph Stiglitz renunciou ao seu posto de economista-chefe do Banco Mundial (Bird), na quarta-feira, depois de mais de dois anos e meio de controvérsias. Desde sua indicação, em 1997, Stiglitz foi um crítico feroz do chamado ‘‘Consenso de Washington’’ – uma cartilha de políticas neoliberais a ser adotada pelos países que pediam ajuda ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Essa posição o colocou em confronto direto com o FMI e com o governo norte-americano.
O banco anunciou que Stiglitz deixará o cargo no final deste ano, antes do término de seu contrato de três anos (que terminaria em fevereiro), retornando ao ensino e à pesquisa. Mas ele manterá a posição de assessor de James Wolfensohn, presidente do banco.
Stiglitz entrou em conflito com o FMI quanto ao papel da instituição durante a crise econômica asiática e sobre as reformas de abertura na Rússia.
O acadêmico defendia que o foco de Washington em estabilização macroeconômica e desregulamentação era contraproducente para os países em desenvolvimento ou em transição política.
‘‘Precisamos de mais pessoas como Stiglitz, que falem sem temor’’, afirmou Sventlana Glinka, economista da Academia de Ciências Russas, durante palestra no Banco Mundial.
Há semanas correm boatos, não confirmados, de que o secretário do Tesouro norte-americano, Lawrence Summers, teria condicionado a concessão de um novo mandato de cinco anos para James Wolfensohn, no Banco Mundial, à saída de Stiglitz.
‘‘Stiglitz tinha o papel de ‘‘advogado do diabo’ e empregava seu posto como palanque para difundir suas idéias’’, disse um colega do Banco Mundial, em sua defesa.
Stiglitz, um forte candidato aos futuros prêmios Nobel de Economia, trouxe prestígio ao seu cargo. Mesmo depois de sua partida, suas realizações serão debatidas, pois suas idéias conquistaram adeptos ao longo dos anos.

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