Rio - O economista Joseph Stiglitz, prêmio nobel de economia de 2001, defendeu uma política industrial para os países em desenvolvimento. Segundo ele, os Estados Unidos pregam uma economia de mercado e consideram o termo política industrial como ''um palavrão'', mas 25% de todos os créditos naquele país saem do governo federal, inclusive, sob a forma de patrocínios.
Stiglitz, que fez palestra em seminário internacional no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acredita que uma política industrial aumenta a capacidade de a economia ser empreendedora e aportar capital no país que a aplica. Segundo ele, ''não há formas fáceis para sucesso no mundo moderno'', mas o Estado pode ser um indutor de desenvolvimento, investindo, inclusive, em áreas fundamentais como a educação e mantendo a regulamentação sobre setores mais sensíveis.
Para o economista, no mundo globalizado países como o Brasil precisam tomar medidas mais agressivas, para que se tenha um regime mais equilibrado de riquezas no mundo. Ele admitiu que isso ''levará muito tempo''. Segundo Stiglitz, até que o equilíbrio ocorra, o Brasil terá de conviver com as desigualdades atuais, mas deve fazer com que as oportunidades da globalização sejam uma realidade não apenas para os ricos, mas para toda a população.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, que também participou do seminário, comentou a defesa da política industrial feita por Stiglitz com certa irritação, afirmando que o BNDES já faz essa política e é ''perda de tempo definir o que é isso''. Segundo ele, ''o nome aqui não é importante, mas sim uma política eficiente de investimentos''.
Malan afirmou que ''quando o BNDES empresta R$ 28 bilhões, está fazendo política de investimento; se quiser fazer política industrial, que o faça. Queremos um Estado eficiente.'' Ele criticou, entretanto, políticas do passado que emprestavam dinheiro a empresários com taxas de juros bem inferiores à inflação, criando até mesmo, segundo ele, um certo gosto das empresas pela política inflacionária.

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