STF libera produtos transgênicos no Paraná
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou ontem o cultivo, transporte e comercialização de produtos transgênicos no Paraná. Por unanimidade, os ministros suspenderam os efeitos da Lei Estadual 14.162, baixada recentemente a pedido do governador Roberto Requião (PMDB) e que proibe o cultivo, manipulação, transporte, comercialização, exportação, importação, industrialização e o financiamento de lavouras com produtos geneticamente modificados. A medida foi bem recebida pelos produtores paranaenses que estavam sob a ameaça de interdição de suas lavouras caso transgredissem a lei estadual.
A decisão do STF é uma resposta à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), ajuizada pelo Partido da Frente Liberal (PFL) do Paraná contra o governo paranaense por causa da lei estadual que proíbe transgênicos no Estado. O STF analisou pedido de uma ação cautelar proposta antes da Adin, que funciona como uma liminar. Ainda falta julgar o mérito da ação.
A medida do STF veio no momento em que o Ministério da Agricultura e Secretaria da Agricultura do Paraná estavam intensificando a operação de fiscalização no comércio de sementes e no meio rural para evitar o plantio de soja transgênica. A fiscalização da delegacia regional do Ministério da Agricultura iria permitir o plantio de soja transgênica somente para os cerca de 300 agricultores que assinaram termo de compromisso. Já a fiscalização da Secretaria da Agricultura visava interditar as lavouras que fossem flagradas com transgênicos.
Para o vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, o momento é de cautela. A primeira medida será encaminhar o teor da decisão do STF para a Procuradoria Geral do Estado (PGE) para ver se existe algum recurso jurídico. Pessuti admitiu que a interdição das lavouras ficam suspensas. Mas ressaltou que a fiscalização da Seab vai continuar nas barreiras e nas lavouras apesar da decisão do STF.
O procurador geral do Estado, Sergio Botto de Lacerda, preferiu esperar o encerramento da sessão do STF ontem, para conhecer por inteiro o teor da decisão para depois se pronunciar.
A decisão do STF foi recebida com alívio na Federação da Agricultura do Paraná (Faep). De acordo com o assessor da entidade, Carlos Augusto Albuquerque, os produtores que tinham a intenção de plantar soja transgênica e temiam a fiscalização do governo estadual não precisam mais se esconder atrás de um termo de compromisso sigiloso firmado com o governo federal.
Albuquerque frisou que a Faep é defensora do plantio de soja convencional porque os produtores paranaenses têm um bom mercado para esse tipo de produto já conquistado. Mas destacou que as ameaças do governo estadual estavam equivocadas e a melhor forma de preservar um nicho de mercado é pela transparência. ''Não é sensato proibir, mesmo porque o mercado exige que os produtos transgênicos sejam identificados'', declarou.


