STF aprova mudanças no plano de racionamento
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, classificou ontem como razoáveis as mudanças na medida provisória, anunciadas segunda-feira, que trata do plano de racionamento de energia. Era uma incoerência uma pessoa atingir a meta e ainda assim ser apenada, afirmou o ministro. O presidente (Fernando Henrique Cardoso) evoluiu bem, disse.
Outros integrantes do Supremo também avaliaram que as mudanças foram satisfatórias sob o ponto de vista jurídico. Com isso, tornaram-se grandes as chances de o governo sair vitorioso em um eventual julgamento no STF sobre a medida provisória. O texto anterior tinha recebido várias críticas de ministros do tribunal e a expectativa era de que fosse derrubado sob o argumento de que feria a Constituição Federal.
Segundo Marco Aurélio, antes das modificações, havia gente falando que o objetivo real não seria poupar energia, mas sim fazer caixa. Agora, temos algo razoável: estamos numa crise, o povo sabe disso e é preciso tomar providências porque senão todos serão prejudicados, afirmou. Na opinião de Marco Aurélio, qualquer residência pode chegar à redução de 20%.
O presidente do Supremo contou que também está economizando energia. Antes, o meu garoto deixava luz e TV ligadas e dormia com o ar condicionado, mas de cobertor, exemplificou o ministro.
Marco Aurélio afirmou que, com as mudanças anunciadas pelo presidente, a medida provisória tornou-se mais palatável. Ele negou que tenha conversado com Fernando Henrique sobre o assunto e comentou que o presidente, às vezes, fica muito isolado no Palácio do Planalto. Mas ressaltou que as mudanças vieram depois que juízes concederam liminares contra pontos da medida provisória.
Marco Aurélio também comentou a possibilidade de corte de energia dos consumidores que não cumprirem as metas estabelecidas. Se a pessoa não conseguir se adaptar no primeiro mês, será advertida, observou.
O presidente do Supremo destacou ainda a pressão da população contra as medidas anunciadas anteriormente pelo Executivo. Nós tivemos a cidadania atuando: o povo brasileiro não é mais apático, avaliou. (AE)





