Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, admitiu ontem tomar medidas ''radicais'' para garantir o abastecimento interno de álcool combustível, ao comentar uma possível disparada na exportação do etanol, caso seja revogada a tarifa de US$ 0,54 por galão que os Estados Unidos impõem ao produto brasileiro. Ele citou como exemplo de garantia de abastecimento a imposição de cotas para exportação, se os usineiros priorizarem o mercado externo. ''Nós temos de dar segurança ao abastecimento interno e, quanto a isso, não há dúvida; aí os mecanismos serão adotados e o mais radical deles seria a imposição de cotas'', afirmou o ministro. ''O mercado brasileiro pode ficar tranqilo que essa questão (abastecimento) será fundamental em relação a qualquer política do álcool'', completou Stephanes.
O ministro encontrou-se em seu gabinete com o ex-governador da Flórida Jeb Bush e com o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, líderes da Comissão Interamericana do Etanol, entidade criada para o fomento ao uso do combustível alternativo.
Stephanes procurou, entretanto, minimizar qualquer tipo de intervenção que possa ocorrer no futuro em relação ao álcool e lembrou que, além das mais de 300 usinas processadoras de cana-de-açúcar em operação no Brasil, outras 50 estão em implementação e 57 passam por um estágio de consulta. Com isso, em cinco anos seria possível ampliar a capacidade instalada de produção de álcool em 20%.
Stephanes afirmou que a redução na tarifa sobre o álcool brasileiro será lenta e a queda, se ocorrer, deverá ser gradual. ''Em dois anos não há chance de mudança, ou seja, só a partir de 2009'', disse ele, ao lembrar que a legislação norte-americana impede uma rediscussão sobre o tema no próximo biênio. Por outro lado, o ministro salientou que esse período será positivo para que o álcool possa começar a ser transformado em uma commodity mundial, processo que, na opinião dele, ainda deve demorar cinco anos, já que é necessária a expansão da produção para outros países.

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