Albari Rosa‘Ouvidor’O ministro Reinhold Stephanes passa por ‘corredor polonês’ de funcionários e aposentados: reclamaçõesA votação da reforma da Previdência Social e a falta de reajuste salarial dos funcionários públicos federais fizeram com que o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes, desempenhasse um papel de ‘ouvidor’, ontem em Curitiba. Depois de apaziguar os ânimos de um grupo de manifestantes, que se concentrou em frente ao prédio do INSS, Stephanes parou para escutar as queixas de futuros aposentados e funcionários. A maioria queria saber o que mudou com a reforma e quais direitos perderam ou ganharam.
O ministro, que esteve em Curitiba para dar palestras e inaugurar um programa de informática para o INSS, tentou se solidarizou com os manifestantes. ‘‘Como não há dinheiro para todo mundo, o governo não dá para ninguém’’, tentou se justificar, ao ser questionado sobre a falta de reajuste salarial. A reclamação foi feita pela agente administrativa do INSS, Viviane Maia. Ela disse que recebe R$ 300 por mês. ‘‘Isso não dá para nada, ministro. Veja a nossa situação’’, pediu em tom de lamentação e cobrança.
Rodeado por um dezena de funcionários, Stephanes atendeu a todos por cerca de 10 minutos, mas não apresentou as soluções que eles queriam ouvir. O tão esperado reajuste para os servidores federais continua sem data para ser feito. Há quatro anos, não há reposição salarial.
O ministro aproveitou para dizer aos funcionários que se a reforma tivesse saído há mais tempo, o País estaria livre do pagamento de aposentadorias milionárias e as pessoas não teriam dupla aposentadoria.
Stephanes diz que está deixando o Ministério da Previdência, no próximo dia 2 de abri, com o espírito de ‘dever cumprido’. Mas admite que a reforma da previdência, em nada se parece com o projeto que ele idealizou para o País. ‘‘Vou publicar um livro de 300 páginas, contando tudo o que deveria ter sido feito e não foi feito’’, disse. Reinhold Stephanes admite que a interferência política desvirtuou o projeto original. Uma das alterações que mais irritou o ministro foi a tabela de aposentaria proporcional. Somente quem começar a trabalhar quando a reforma for sancionada, vai se enquadrar no limite de idade para aposentadoria de 60 anos de idade ou 35 de contribuição para homens e 55 anos de idade e 30 de contribuição para mulheres.
A reforma previdenciária deve estar sancionada até metade de maio. Até o final da próxima semana, a votação dos sete destaques mais polêmicos deve estar concluída na Câmara do Deputados. Após a sanção do projeto, começa a batalha pela regulametação das leis da reforma. O ano político deve adiar para 1999 as votações.

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