Stephanes defende a suspensão do leilão
O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, disse ontem, em Curitiba, que seria melhor suspender, no momento, o processo de privatização da instituição até que se resolva a venda do Banespa, que deve acontecer nos próximos dias. Hoje está sendo prejudicial, pois encavalaria os dois processos em um curto espaço de tempo, justificou. Stephanes lamentou, no entanto, os R$ 14 milhões mensais adicionais que o Tesouro Nacional cobra do Estado.
Stephanes não descartou a ampliação do prazo do leilão, admitindo que poderá haver liminares na Justiça, e disse que discutir ou não a federalização não interrompe o processo da privatização. Para ele, com a federalização pode ou não mudar o comando do processo, dependendo da intenção do Banco Central. Embora mostrando-se satisfeito com os trâmites para a venda, cujo processo é comandado por ele há um ano e sete meses, o presidente do Banestado observou, em entrevista exclusiva à Folha, que hoje precisaria de mais alguns meses para valorizar a instituição e efetivamente vendê-la.
Se o Banespa for a leilão nos próximos dias, reabre o data-room e o interessante seria adiar a venda do Banestado para obtermos melhor preço. Será muito difícil alguém comprar dois bancos em menos de dez dias, ponderou Stephanes. Ele confirmou o valor mínimo do leilão em R$ 434 milhões, acreditando que poderá haver um ágio entre 50% e 100% acima desse preço e disse que o preço mínimo é baseado em pesquisa de mercado, não representando necessariamente o valor oficial da venda.
Ao afirmar que vem obedecendo a lei, a ética e a técnica, Stephanes disse que, desde o momento em que assumiu a condução do processo, baixou de 12 para sete as diretorias e de 41 para 19 os departamentos. Os políticos simplesmente desapareceram do banco, disse.
Estudos mostram que os erros vieram de três governos e que hoje o cidadão comum não sabe a conta que está pagando e, por isso, se choca. Todo processo deve ser transparente e a sociedade tem que amadurecer na transparência, mesmo que sofra com isso, observou Stephanes.
Ele lamenta o que fizeram, dizendo que judiaram do banco e do povo paranaense, que está pagando a conta, ao mesmo tempo em que condena os que hoje apenas criticam e nada fizeram no passado para tentar reverter o lamentável quadro. Se atacarem minha administração, considero conceitual e até natural, pois entendo perfeitamente o exercício da democracia e do direito do cidadão. Mas, quando atacam o banco, me chateiam, pois trata-se de um patrimônio do povo paranaense. A resposta é endereçada aos senadores Osmar Dias e Alvaro Dias (ambos do PSDB), que têm atacado o processo de privatização.
Alvaro voltou a criticar ontem o modelo de privatização, afirmando que se trata de dilapidação crescente e absoluta do patrimônio do Estado, com privatizações equivocadas e danosas ao interesse público. Ele denunciou, por exemplo, que o Banestado recebeu R$ 5 bilhões dos cofres públicos para ser saneado e se tornar lucrativo e agora será vendido por R$ 400 milhões menos do lucro apresentado em seu último balanço. Para Stephanes, tanto as críticas de Alvaro como de Osmar seriam válidas se fossem corretas e, melhor ainda, se eles tivessem se pronunciado antes, ainda em nível da Câmara dos Deputados.
O presidente do Banestado reagiu também ao movimento do Sindicato dos Bancários, que fechou ontem o complexo do conglomerado no bairro de Santa Cândida, em Curitiba, explicando que esse tipo de protesto ou atitude não conduz a nada. Ao contrário, deprecia a instituição. Para ele, não foram competentes para retardar o processo na Câmara dos Deputados, ficando apenas no discurso político e, hoje, no barulho. Eles continuou não tiveram a capacidade para apresentar nenhum projeto de solução, alfinetou.
Contas da LeasingNós estamos administrando o absurdo e a própria solução tem que ser absurda. Com isso, Stephanes tenta justificar a cobrança das dívidas das empresas inadimplentes com a Banestado Leasing. Segundo ele, é importante que se separe as coisas. Primeiro, o caso da liberação errada de crédito está no poder da Justiça, através do Ministério Público. Outro, é a cobrança de algumas dívidas que não possuem qualquer lastro, ou qualquer garantia. Nesse caso, disse, estamos tentando repatriar o que podemos com autorização do Banco Central. (Pedro Ribeiro)





