Stephanes critica exportador de carne e apela a frigoríficos
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Fabiola Salvador 
Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, fez ontem na Comissão de Agricultura do Senado duras críticas aos exportadores de carne bovina. O ministro disse que os frigoríficos exportavam carne de animais rastreados e não rastreados para a União Européia. O bloco exige a rastreabilidade para a importação do produto.
O ministro sinalizou que concorda com as críticas da senador Katia Abreu (DEM-TO). ''Eu concordo com a senadora porque ela diz muitas coisas que eu não posso dizer'', afirmou Stephanes. E acrescentou: ''Não cabe a mim criticar alguns setores.''
O ministro conclamou os frigoríficos exportadores a liderarem o processo de rastreabilidade dos rebanhos. ''Se os frigoríficos não liderarem o processo de rastreabilidade, ela não acontece. É preciso fidelizar clientes, ou seja, fornecedores e pagar um adicional'', afirmou. Ele também criticou as empresas certificadoras e disse que a situação delas é ''um escândalo''. Segundo ele ainda, as certificadoras nunca foram auditadas e uma inspeção feita recentemente pelo ministério eliminou 20 empresas de uma lista de 71 empresas reconhecidas pelo Ministério da Agricultura.
O ministro contou que sabia desde o ano passado que a União Européia poderia embargar a carne brasileira. Ele esteve em outubro na Europa para divulgar a qualidade da carne brasileira para autoridades do bloco. ''Naquela época as posições foram colocadas de forma muita rígida e não conseguimos mudá-las''.
O ministro enfatizou que a agricultura brasileira não é subsidiada e que o governo precisa encontrar soluções que possam ''desengordar'' a dívida dos produtores rurais. Segundo ele, entre 2001 e 2007 o preço dos produtos agrícolas subiu 78% e o endividamento cresceu 280%.
Ele também comentou a decisão do Conselho Nacional de Biossegurança, que ontem liberou o plantio comercial de duas variedades de milho transgênico. ''Temos uma agricultura eficiente e produtiva, mas, em termos de biotecnologia, vivemos na idade da carroça.''


