Stephanes assume e espera dinheiro do BC
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terça-feira, 26 de janeiro de 1999
Carmem Murara 
O ex-ministro da Previdência e deputado federal Reinhold Stephanes (PFL) assumiu ontem a presidência do Banestado com a expectativa de receber até o final desta semana os R$ 4,5 bilhões do Banco Central, dinheiro que vai livrar o banco do sistema interbancário. Todos os dias, o Banestado toma emprestado a juros de mercado R$ 2 bilhões para poder fechar suas operações. O prejuízo diário que se acumula é de R$ 2 milhões, segundo Stephanes, número que supera a cifra de até R$ 600 milhões, anteriormente divulgada por diretores do banco.
A posse de Stephanes foi marcada por uma cerimônia improvisada e inesperada que lotou o auditório do Conglomerado Banestado, em Curitiba. A princípio, Stephanes havia pedido uma passagem de cargo rápida e sem solenidades, dentro do próprio gabinete, mesmo porque ele só poderá assinar o livro de posse na sexta-feira, quando termina o seu mandato na Câmara dos Deputados.
Apesar de não querer pompa e circustância, Stephanes foi surpreendido por políticos, amigos, ex-diretores e funcionários do banco, que mesmo sem convite, lotaram o saguão do Conglomerado. O local da cerimônia foi mudado às pressas e Stephanes e o secretário da Fazenda Giovani Gionédis tiveram de improvisar um discurso. A idéia era começar trabalhando, mas fomos surpreendidos pelos convidados e agradecemos, ressaltou Stephanes.
O discurso mais prolongado ficou a cargo de Manoel Garcia Cid, que passou a presidência a Stephanes. Neco Garcia fez elogios à antiga diretoria e citou casos polêmicos como os rombos descobertos na Leasing e os problemas da Corretora de Valores. Quando assumimos, o navio fazia muita água, e hoje está num porto seguro, comparou Garcia.
Com a privatização, uma das primeiras tarefas da nova diretoria é a escolha da empresa que fará a modelagem do Banestado para a privatização. Stephanes informou que há oito empresas interessadas. Poderemos escolher a empresa por licitação ou por convite como fizeram outros bancos como o Bemge, disse.
Reinhold Stephanes reforçou a necessidade de se conduzir com rapidez o banco para a privatização. Demoramos 15 dias para decidir se aceitaríamos o cargo e só aceitamos porque nos convencemos de que o banco pode ser saneado e recuperado, discursou o ex-ministro, sempre na primeira pessoa do plural. Ele disse não gostar do termo privatização, preferindo a expressão troca de acionista.
Aos políticos, o presidente do Banestado mandou um recado. Como político posso ter determinada ética e comportamento que fazem parte do contexto político. Como dirigente de órgão técnico tenho que ter a postura rigorosa de um profissional, declarou, ao repetir a frase que colocou em seu último livro sobre a Previdência Social. E como prova de que não costuma ceder a pressões políticas, Stephanes citou seu desempenho eleitoral, que lhe custou a derrota eleitoral, em outubro. Perdi a eleição porque não cedi, disse.
Stephanes disse que aceitar o Banestado foi um desafio, que já está incorporado na sua vocação pessoal. Fui ministro por três vezes, quando a Previdência estava no fundo do poço. Quando fui secretário da Fazenda, a prefeitura estava quebrada. Acho que tenho esta vocação....


