O ex-ministro da Previdência, Reinhold Stephanes, assume no próximo dia 20 a presidência do Banestado para comandar o processo de privatização do banco. A confirmação de sua indicação ao cargo foi feita no início da noite de ontem pelo governador Jaime Lerner, um dia após Stephanes ter aceito o convite para presidir a instituição financeira, como antecipou a Folha com exclusividade. O nome de Stephanes será submetido à apreciação do Conselho de Administração do Banestado durante a semana, e em seguida passará pelo crivo do Banco Central.
Mesmo sem ter assumido, oficialmente, a função o futuro presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, já arregaçou as mangas e desde ontem começou a trabalhar. Ele passou toda a tarde reunido com Lerner na sede do governo na Copel (Chapéu Pensador), analisando a situação financeira do Banestado.
O ex-secretário de Administração Reinhold Stephanes Júnior chegou a telefonar, na noite anterior, para o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, para que ele participasse da reunião. Como estava em Londrina, onde passa o final de semana, Garcia disse que não poderia comparecer. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, também havia desautorizado Garcia de passar informações sobre o banco ao ex-ministro.
Após um dia de trabalho, Stephanes viajou para Brasília, onde mantém toda a sua estrutura de assessoria. O ex-ministro e deputado federal ainda tem alguns compromissos durante o período extraordinário do Congresso. Ele quer fazer ainda a sua mudança para Curitiba. ‘‘Aceitei o convite, porque acredito na viabilidade do banco. Vou administrar com austeridade, que é uma característica minha e não seria diferente agora’’, afirmou Stephanes.
O governador e o próprio Stephanes têm pressa em assumir as funções no Banestado. Eles trabalham contra o relógio para fechar o quadro de diretores que deverá sofrer alterações. Somente assim, será possível dar andamento ao processo de saneamento e privatização, que tem a data de 30 de junho como limite máximo para ser feito.
Por causa da indefinição do governador na escolha do novo presidente, o processo de privatização do Banestado está praticamente parado há duas semanas. A Diretoria de Reestruturação e Privatização está fazendo o trabalho que é possível, mas esbarra na burocracia e na falta de um comando superior, sem contar as constantes informações surgidas dentro da Palácio Iguaçu de que o diretor de Privatização, Fausto Lacerda, será substituído.
O Banco Central se recusa a liberar a primeira parcela de R$ 3 bilhões, de um total de R$ 4,4 bilhões, que será utilizada para sanear o Banestado. A incerteza sobre a composição da nova diretoria foi vista com receio pelo Banco Central. Enquanto o dinheiro não vem, o banco é obrigado a recorrer diariamente ao Sistema Interbancário para zerar as operações, que fecham no vermelho e aumentam o rombo.
O clima ontem dentro do Banestado era de indignação entre os funcionários e diretores que se solidarizaram com o vice-presidente Aldo Almeida. Ele chegou a ser confirmado no cargo pelo próprio governador Jaime Lerner e no dia da posse do governador ocupou o palanque dos novos secretários. Alguns funcionários, que trabalham próximos a Almeida apostam que ele não vai permanecer como vice-presidente. Além dele, devem pedir demissão alguns diretores.

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