São Paulo – O pedido de falência feito anteontem pela operadora Stella Barros expõe as dificuldades que o setor de viagens vem enfrentando no Brasil.
  Castigado pela desvalorização do real a partir de 1999 e pela turbulência internacional, que se arrasta desde os atentados aos Estados Unidos em setembro de 2001, o setor teve de buscar apoio no turismo doméstico para não afundar de vez.
  A estimativa da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav) é que o setor de turismo tenha fechado o ano passado com crescimento zero e um movimento de US$ 10 bilhões. Apesar do faturamento estagnado, o número de viagens apresentou crescimento de 41,4 milhões em 2001 para 43,4 milhões no ano passado, segundo a Embratur. A explicação está na queda das viagens internacionais, que geralmente são mais caras.
  Em 1998, ano anterior à maxidesvalorização do real, 70% dos pacotes de viagens comercializados no Brasil tinham como destino países do exterior. Os destinos domésticos ficavam com 30%. Em 99, o mercado doméstico já absorvia quase 50% do total e em 2000 veio a virada: 70% dos pacotes para o mercado doméstico e 30% para os destinos internacionais. A proporção se mantém desde então.
  Para o presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Ilya Hirsch, no caso da Stella Barros, o maior pecado da operadora foi concentrar-se em um único destino - a Disney - e alimentar uma identidade tão forte com o parque de diversões norte-americano. ‘‘Depois do atentado, que pai mandaria um filho para a Disney? Ainda assim, a empresa demorou muito tempo para reagir e buscar novos destinos’’, comenta.
  Outro problema, na visão de Hirsch, foi manter uma estrutura muito grande para a realidade do mercado. Uma dívida remanescente da Copa do Mundo de 1998, que chegava aos US$ 2 milhões, ajudou a completar o cenário de problemas. Naquela época, a Stella Barros vendeu pacotes para a Copa, mas não conseguiu os ingressos para todos os clientes. Por isso, teve de recorrer ao câmbio negro.

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