O produtor rural precisa atuar em bloco, seja através de associações ou de cooperativas, para ganhar ‘‘poder de barganha’’. A opinião é do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanelo, que falou ontem em Campo Mourão , no 12º Encontro Paranaense de Engenheiros Agrônomos. O tema da palestra de Stefanelo foi sobre ‘‘Os desafios na agricultura em tempo de globalização’’.
O presidente da Conab prevê que a globalização vai fazer com que os produtores de grãos precisem contar com uma grande cooperativa ou associação. Por isso mesmo, ele acredita que em poucos anos o Paraná terá apenas entre 5 e 10 cooperativas agrícolas. ‘‘Ainda assim será demais’’, frisou. Para garantir as exportações, por exemplo, Stefanelo é ainda mais radical e diz que os produtores terão que contar com um único agente.
Exigências Segundo Stefanelo, a globalização obriga o aumento da produtividade, com redução de custo e aumento da qualidade do produto. ‘‘Mas não adianta apenas produzir bem. É preciso também que a comercialização seja eficiente’’, ressaltou.
No caso das exportações, Stefanelo prevê dificuldades para o produtor brasileiro reduzir os custos de transporte. O motivo é simples: o embargue de uma tonelada de soja no Porto de Paranaguá, segundo ele, custa US$ 9,00, contra US$ 5,00 nos portos argentinos e US$ 3,00 nos portos mais eficientes do mundo.
‘‘O brasileiro planta pensando no comportamento da safra anterior e não usa o mercado futuro’’, frisou. Segundo ele, só essa ‘‘brincadeirinha’’ fez com que os produtores de soja perdessem um faturamento de US$ 1 bilhão na safra atual.
Importações ‘‘Importamos por ano US$ 3 bilhões a mais do que exportamos aos outros países do Mercosul’’, ressaltou. Somente com cereais, o déficit chega a US$ 1,3 bilhão. Com o algodão são mais US$ 350 milhões. Enquanto isso, as exportações ao Mercosul não passam de US$ 1,2 bilhão. ‘‘A área econômica do governo não conhece muito bem a agropecuária’’, admitiu. ‘‘Mas aos poucos ela está se conscientizando da importância do setor para o País’’. Atacou o comportamento dos governos norte-americano e europeus. ‘‘É inadmissível que exijam abertura de mercado no terceiro mundo e mantenham subsídios para os seus produtos’’.
Stefanelo também defendeu o uso da tecnologia e das áreas inexploradas do País. ‘‘Se o produtor usar a tecnologia disponível, pode dobrar a produção sem aumentar um único hectare’’. Em termos de Brasil, isso seria suficiente para elevar a produção para mais de 160 milhões de t por ano. Já os 120 milhões de ha inexplorados, segundo ele, poderiam aumentar em até 10 vezes a produção de soja e de milho.

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