Os produtores brasileiros deixam de ganhar cerca de US$ 800 milhões por ano por não utilizarem as bolsas de cereais e mercadorias na comercialização da safra. Sem usar este mecanismo profissional e transparente de comercialização, a maioria dos agricultores brasileiros entrega a produção por preços muito inferiores aos praticados pelo mercado, desvalorizando a sua produção e muitas vezes amargando os prejuízos pela venda do produto a preços muito baixos.
A análise é do superintendente regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, Eugênio Stefanelo (v.foto). Ele chegou ao valor de US$ 800 milhões computando a média de diferença de preço entre a comercialização via bolsa e a venda da produção do agricultor para a cooperativa ou o intermediário.
Ex-secretário da Agricultura do Paraná, Stefanelo foi uma dos primeiros a defender a implantação de bolsas no Estado. Ainda como secretário, em 1978, Stefanelo iniciou a defesa da tesa da instalação de bolsas de mercadorias e em 1980 foi criada a primeira bolsa no Estado - a Bolsa de Mercadorias do Paraná, em pleno funcionamento até hoje.
Segundo Stefanelo, é inadmissível que até hoje apenas 2% de toda a safra brasileira seja comercializada através das bolsas de mercadorias. ‘‘Hoje quem sustenta as bolsas é o governo com a venda dos estoques reguladores’’, observa.
De acordo com Stefanelo, desde meados da década de 80 o governo só utiliza as bolsas de mercadorias para vender os seus estoques porque este é o mecanismo mais transparente de comercialização. ‘‘Nas bolsas não há espaço para propinas, fraudes e manipulação de preços’’, garante o superintendente da Conab.
Na avaliação de Stefanelo, as cooperativas e associações de produtores deveriam utilizar mais este mecanismo de venda para garantir melhores condições de preços para os seus associados. ‘‘Eu até perdôo o agricultor que, por falta de informação, não utiliza as bolsas, mas as suas entidades representativas não têm motivo nenhum para não se valer desta forma profissional de comercialização da safra’’, destaca Stefanelo. ‘‘É um verdadeiro crime as cooperativas e associações não estarem fazendo mercado futuro para garantir um preço melhor para os seus associados’’, declara.
O superintendente da Conab faz uma ressalva para algumas cooperativas do Paraná que já vêm utilizando este sistema, como a Batavo, a Castrolanda, a Coamo, a Agrária e a Coopavel. ‘‘Estas cooperativas já vendem soja no mercado futuro fazendo negócios através da Bolsa Mercantil e de Futuros, de São Paulo, ou diretamente na Bolsa de Chicago’’, conta.
Na área de soja, especificamente, a venda da produção através das bolsas chega a 10%, um pouco superior que os 2% da safra total, mas ainda um índice considerado baixo.

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