São Paulo – As novas startups e plataformas já revolucionaram os setores de transporte e hoteleiro, e agora chegou a vez de trazerem mudanças ao setor financeiro. As chamadas fintechs – startups com produtos e serviços voltados ao setor financeiro cujo nome deriva de "financial technology" - têm chamado a atenção das tradicionais instituições financeiras e foram um tema de relevância no Ciab Febraban 2016, evento de tecnologia bancária organizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que termina hoje em São Paulo.

A Fintechlab, entidade que monitora o mercado de fintechs nacionais a partir do Radar Fintechlab, descreve as fintechs como "iniciativas que aliam tecnologia e serviços financeiros trazendo inovações para pessoas e empresas". Um exemplo que ficou muito conhecido no Brasil é o Nubank, que simplificou o uso do cartão de crédito de maneira totalmente digital.

Segundo a Fintechlab, em geral, as fintechs buscam melhores experiências de uso; geração de inteligência a partir de grandes volumes de dados e do conhecimento coletivo; e integração dos diferentes elos do mercado de maneira mais eficiente, aumentando a agilidade das transações e reduzindo custos.

Já faz mais de cinco anos que o movimento fintech iniciou no mundo, e no Brasil, o movimento é relativamente novo - tem cerca de dois anos, apenas. Mas um relatório divulgado pela Fintechlab mostrou que mais de 130 iniciativas do segmento já foram mapeadas pelo Radar Fintechlab, atuando em setores como pagamentos, gerenciamento financeiro, empréstimos e negociação de dívidas, investimento, funding, seguros, eficiência financeira, segurança, conectividade e Bitcoin/Blockchain.

Oportunidade
Ao invés de encarar as fintechs como concorrentes, os bancos estão vendo nelas uma oportunidade, diz Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). "O que a gente vê com as fintechs é uma oportunidade de agregar valor, uma nova forma de pensamento, soluções para melhorar a qualidade dos serviços que prestamos para nossos clientes", diz.

No Ciab Febraban, a Federação organizou pela primeira vez em 26 anos o "Fintech Day", em que o tema foi amplamente discutido e fintechs participaram de pitches para apresentarem os seus negócios. Ao final, um jurado selecionou as melhores para uma conversa com representantes de bancos a fim de viabilizar possíveis parcerias.
Exemplos
Uma das fintechs participantes é a Adianta, um "marketplace" que tem o objetivo de fazer conexão entre pequenas e médias empresas e bancos atuando no processo de adiantamento de recebíveis de maneira mais rápida e ágil. André Buchaim, um dos sócios da Adianta, afirma que bancos e outras instituições demoram de 15 a 60 dias para liberar adiantamento de recebíveis. A ideia, com o marketplace, é fazer o mesmo trabalho de maneira digital em apenas dois a três dias. De acordo com o sócio, a startup conecta as empresas diretamente aos bancos, fazendo uma "desintermediação" do processo. "Isso é onde a tecnologia favorece as fintechs."

Outra fintech tem o objetivo de conectar o público não "bancarizado" ao crédito, seja em instituições financeiras, seja no varejo, usando para a avaliação de crédito mais dados que os bancos já utilizam normalmente. As informações do usuário nas redes sociais é um deles. "Muitas vezes, o varejo é a porta de entrada do consumidor no crédito", afirma Marcos Ramos, CEO do EasyCrédito, ao comentar sobre a dificuldade de acesso ao crédito dos não bancarizados. O aplicativo do EasyCrédito permite ao consumidor saber se ele pode obter crédito em determinado estabelecimento de acordo com o seu perfil sem precisar comparecer ao local pessoalmente, evitando assim eventuais constrangimentos em casos negativos.

Aproximação
A fim de atrair as fintechs para o seu ecossistema, os bancos criaram estratégias como espaços de coworking ou aceleradoras voltadas as essas startups. O Itaú é uma delas. Roberto Setubal, presidente do banco, esteve presente no Ciab e teceu comentários sobre as fintechs. "Elas são uma oportunidade, porque podemos fazer parcerias e aprender muito com elas. Há um interesse muito grande sobre serviços financeiros por esses novos entrantes." Ele falou ainda sobre o Cubo, um espaço de coworking do Itaú que abriga hoje 54 empresas, entre elas algumas fintechs. O Bradesco também apresentou sua estratégia de aproximação com as fintechs que inclui uma aceleradora - a InovaBRA, que apoia projetos inovadores de startups com soluções aplicáveis ao setor financeiro. No último ciclo, 12 empresas foram selecionadas para a aceleradora.

Imagem ilustrativa da imagem Startups levam novos desafios ao setor bancário
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