Standard & Poors rebaixa rating do Brasil
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terça-feira, 02 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo No fim de um dia de muita volatilidade, em que o dólar fechou em baixa de 0,14%, cotado a R$ 2,892, depois de oscilar entre a mínima de R$ 2,875 e a máxima de R$ 2,94, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) anunciou ontem o rebaixamento do rating (nota) da dívida brasileira. A notícia, que pegou os mercados brasileiros fechados, deve provocar forte instabilidade hoje.
Segundo a S&P, o rebaixamento reflete a crescente dívida pública, que pressiona a situação fiscal. A agência cortou a classificação de risco soberana em moeda local de longo prazo para BB-, de BB+, e a nota de longo prazo em moeda estrangeira de BB- para B+. O rating de curto prazo em moeda estrangeira, B-, foi reafirmado e sua perspectiva permanece negativa.
O economista-chefe do BBV Banco, Octavio de Barros, diz que a decisão da S&P já era esperada, uma vez que a perspectiva para o rating estava negativa desde agosto de 2001. Ele acredita que a notícia deve ter algum impacto negativo sobre o mercado, mas entende que os preços dos ativos já refletiam, em grande parte, essa possibilidade. ''Não houve nenhuma surpresa'', afirma Barros, ressaltando que não está justificando a decisão.
No dia 20 de junho, a Moody's e Fitch, as outras duas grandes agências de classificação de risco, já haviam rebaixado o rating do Brasil (no caso da primeira, apenas a perspectiva). Agora, a nota da S&P equivale à das outras duas agências.
''Um gerenciamento fiscal cada vez mais apertado é essencial para manter a relação dívida/PIB nos níveis atuais, dado o perfil da dívida doméstica, que está piorando'', disse Lisa Schineller, analista de ratings soberanos da S&P. Para ela, ''preocupações mais destacadas do mercado com incertezas políticas'' justificaram a medida. A dívida líquida do governo, descontada dos ativos líquidos, é calculada pela S&P (segundo uma metodologia diferente da oficial) em quase 70% do PIB em 2002, ante 60% em 2001. ''As perspectivas negativas foram mantidas, já que as vulnerabilidades fiscais e externas requerem compromisso contínuo com políticas apropriadas em um ambiente interno e externo exigente.''


