Spread reflete inadimplência
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Ana Paula Ribeiro<br> Agência Estado 
São Paulo- A elevação do spread (diferença entre o custo de captação e o cobrado dos clientes) pelos bancos em dezembro, que chegou ao maior nível desde agosto de 2003, reflete a insegurança dessas instituições em relação às expectativas sobre a pontualidade dos pagamentos no futuro. De acordo com o economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, a redução das incertezas em relação ao comportamento da inadimplência pode levar à queda dos spreads caso o custo de captação de recursos fique estável ou mesmo sofra uma redução. O spread se antecipa a uma inadimplência que pode ou não se materializar, disse.
Terça, o Banco Central (BC) divulgou que o spread médio ficou em 30,6 pontos percentuais em dezembro, uma alta de 0,5 ponto em relação ao mês anterior. Já a inadimplência apresentou alta inferior, de 0,2 ponto, para 4,4%. Para o economista, se houver uma melhora no cenário econômico, os bancos irão reduzir os spreads para que consigam conquistar mercado.
A Febraban estima que a inadimplência tenha um peso em torno de 37% no spread. Essa participação tende a aumentar nos próximos meses, quando é esperado um aumento do número de parcelas em atrasos. A elevação dos spreads feita em dezembro está na parcela adicional dos itens que formam o spread, que incluem ainda gastos administrativos, compulsórios e tributos diretos e indiretos.
E além do peso da inadimplência, o economista lembrou que com um volume menor de operações de crédito o custo da operação fica mais elevado, o que tende a elevar o spread. Para este ano, a Febraban estima uma desaceleração no crescimento do crédito para 18%.
Na discussão em torno aos spreads cobrados pelos bancos, a Febraban apresentou ontem um estudo em que faz o cálculo do spread em uma amostra mais ampla do que aquela utilizada pelo BC. A autoridade monetária leva em conta apenas os recursos livres, enquanto a Febraban decidiu incluir na conta o leasing e parte dos recursos direcionados (financiamento habitacional, repasses do BNDES e crédito rural).
A simulação considera 73,6% do crédito total, contra 45,5% da pesquisa mensal do BC. Com essa nova amostra, o spread em dezembro teria sido de 22,5 pontos porcentuais, ou seja, 8,1 pontos. O relevante é dizer que a maior parte das operações não está na conta do BC, disse Sardenberg. A simulação feita pela Febraban resultou em um spread menor porque foram incluídas modalidades de crédito em que a taxa final é limitada, como no financiamento habitacional.


