Brasília - Levantamento feito pelo Banco Central mostra que os juros cobrados nos empréstimos bancários continuam em queda e atingiram, em setembro, o nível mais baixo registrado nos últimos anos. Porém, o custo desses financiamentos poderia ser ainda menor se, pela primeira vez em oito meses, os bancos não tivessem deixado de repassar a seus clientes os ganhos proporcionados pelos recentes cortes na taxa Selic.
Como consequência, houve no mês passado um aumento no ''spread'' bancário -diferença entre os juros que os bancos pagam para captar recursos no mercado e a taxa cobrada para emprestá-los para empresas e pessoas físicas. O ''spread'' serve para cobrir custos - gastos com impostos, despesas administrativas, pagamento de funcionários, entre outros -, além de ajudar a compor o lucro das instituições financeiras.
Em agosto, segundo o BC, os bancos pagavam, em média, juros de 14,4% ao ano para captar recursos. Por outro lado, cobravam 41,9% ao ano nos empréstimos, resultando num ''spread'' de 27,5 pontos percentuais. No mês passado, o custo de captação passou para 13,7%, mas os juros dos financiamentos foi reduzido apenas para 41,5% - logo, o ''spread'' subiu e chegou a 27,8 pontos.
Em setembro de 2005, a taxa Selic estava em 19,75% ao ano, e o ''spread'' bancário médio era de 29,4 pontos percentuais. No mês passado, a Selic havia sido reduzida para 14,25%, e o ''spread'' foi para 27,8 pontos.
Ao divulgar os números da pesquisa, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que a alta do ''spread'' ocorrida no mês passado não se configura, necessariamente, uma tendência a ser observada de agora em diante. ''Nem sempre quando o custo de captação cai, as instituições repassam isso de imediato.''
Entre agosto e setembro, a taxa média praticada nos empréstimos a pessoas físicas foi de 53,9% ao ano para 53,8%. Nos financiamentos para empresas, a queda dos juros foi menor, 4,4 pontos percentuais, chegando a 27,3% ao ano em setembro.

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