São Paulo O poder de atração e o glamour das passarelas do maior evento de moda do País, o São Paulo Fashion Week (SPFW), é a grande aposta desta semana de grifes de estilistas consagrados e novatos para expandir negócios. Reunidas no terceiro andar do Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, próximas das áreas de desfiles, 73 marcas exibem suas coleções num grande showroom coletivo, o FWHouse, com objetivos estratégicos diferentes.
Para iniciantes no universo da moda, o espaço é uma vitrine para a marca ganhar visibilidade no mercado nacional. Grifes conhecidas estão lá para seduzir compradores estrangeiros e avançar no concorrido mercado internacional.
A expectativa é que as exposições das marcas do SPFW dentro e fora da Bienal movimentem negócios em torno de R$ 1,2 bilhão. O cálculo é da diretora da Luminosidade, Graça Cabral, responsável pela organização da FWHouse, junto com a Associação Brasileira de Estilistas (Abest). ''Na edição anterior, as vendas ficaram em torno de R$ 1 bilhão'', diz. A primeira House, realizada em janeiro, num hotel , reuniu 51 marcas.
Além de contar com o público que frequenta a SP Fashion Week, Graça Cabral e sua sócia no negócio, Marcia Matsuno, investiram em 700 potenciais ''compradores premium''. Eles foram indicados pelas grifes conhecidas como bons clientes. ''Todos foram convidados para virem à FWHouse. Distribuímos também sete mil malas diretas para atrair outros lojistas de multimarcas e entramos em contato com 30 compradores internacionais'', diz Graça.
Mais de 300 estilistas se inscreveram para participar, mas, para selecionar os nomes para o showroom, foram levados em conta o design, a capacidade de produção e de distribuição da marca. ''Não adianta ser criativo e não ter condições de fabricar e entregar o pedido na data certa. Afinal, é um negócio'', observa Marcia Matsuno.
Mas a exclusividade, mesmo em produções artesanais, teve peso na escolha. É o caso, por exemplo, da estilista de calçados Francesca Giobbi, que produz apenas 70 pares de sapatos por dia, todos feitos a mão. Ela participa pela segunda vez do showroom e seu foco é o mercado de luxo externo, onde está há quatro anos. ''Em dois dias de feira, recebemos visitantes da Arábia Saudita, Inglaterra, Venezuela, Bélgica e Japão'', diz o responsável pelas exportações da marca, Jurandir Francisco de Oliveira.
A Iódice, grife de moda jovem, que desfilou no segundo dia da SPFW , garantiu uma sala no showroom das marcas para vender sobretudo para o mercado internacional. No Brasil, Iódice atende a 550 clientes de multimarcas em todo o País e tem espaço próprio nos Jardins e na butique de luxo Daslu. ''Há quatro anos desenvolvemos um trabalho com distribuidores norte-americanos e estamos em 162 lojas naquele país. Mas ainda somos uma gota no oceano, num mercado potencial de 600 lojas'', diz o diretor de exportação, Adriano Iódice.

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