Brasília – O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Luiz Fernando Figueiredo, informou que o volume das operações feitas ontem na estréia do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) foi de cerca de R$ 49,3 bilhões. Segundo ele, o giro ficou um pouco acima do esperado pelo BC. O valor correspondeu a 4.296 mensagens.
Figueiredo considerou que o primeiro dia de funcionamento do SPB foi tranquilo, sem o registro de problemas significativos. Ele informou que ao longo do dia ocorreram apenas quatro situações de contingência para o envio e recebimento de mensagens. Em três casos houve contingência total e em um, apenas parcial – uma ocorrência muito pequena.
A agência de classificação de risco Fitch Ratings contrariou ontem a previsão do BC de que o SPB terá um impacto logo no risco Brasil. Apesar de considerar a adoção do SPB como um fator benéfico ao País, o diretor para Instuições Financeiras da Fitch, Peter Shaw, não acredita que o novo sistema poderá ter um peso importante na redução da taxa de risco do Brasil, pelo menos no curto e médio prazos. ‘‘Trata-se sem dúvida de um avanço, mas o risco Brasil é condicionado por outros fatores ’’, disse Shaw. ‘‘No momento em que uma mudança como essa tiver um impacto no risco, isso significará que o Brasil atingiu outro estágio.’’
Ele afirmou, no entanto, que o SPB é positivo para o País por dois motivos básicos: ‘‘Esse sistema limita os riscos do sistema financeiro e agiliza e barateia as negociações, beneficiando os integrantes do mercado.’’
Segundo Shaw, trata-se de mais um passo importante adotado pelo BC para tornar mais transparente e sólido o sistema financeiro do País. ‘‘O fato de as autoridades reguladoras reconhecerem os riscos e tomarem as medidas apropriadas para tentar saná-los é muito positivo.’’
Outro economista também contrariou as previsões de queda imediata no risco Brasil por causa do SPB. O novo sistema não reduzirá o risco do País em prazo inferior a dois anos, segundo avaliação do ex-diretor do BC e economista do Ibmec Carlos Thadeu de Freitas. De acordo com ele, a principal vantagem inicial do sistema será a redução do risco sistêmico do BC, mas a ‘‘economia real’’ é que ‘‘pagará a conta’’ da mudança nos próximos meses.

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