S&P vê lentidão na recuperação fiscal
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sábado, 13 de janeiro de 2018
Ricardo Leopoldo<br>Folhapress 

Nova York - A diretora-executiva de ratings soberanos da S&P Global Ratings, Lisa Schineller, explicou nesta sexta-feira, 12, que o rebaixamento da nota de crédito do Brasil é reflexo da avaliação institucional que a agência de classificação de risco faz do País atualmente.
Na noite da última quinta-feira (11), a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) rebaixou o rating do Brasil de BB para BB-. Já a perspectiva da nota do País foi de negativa para estável.
Embora tenha reconhecido que a gestão do presidente Michel Temer apresentou alguns avanços, como a reforma trabalhista e as mudanças no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo fez "progresso lento" para adotar medidas estruturais na área fiscal, segundo a agência. "Ocorreram constantes atrasos para a reforma da Previdência", lembrou a diretora da S&P.
Lisa também mencionou que a questão da regra de ouro foi tema de pressão em debates no campo fiscal e avaliou que existe uma incapacidade de atacar restrições no Orçamento da União.
Como aspecto positivo, a diretora da agência citou o combate à corrupção no Brasil, o ganho de credibilidade do Banco Central (BC) com o mercado financeiro e os avanços no setor externo.
Lisa também lembrou que a economia brasileira tem se estabilizado, mas que não espera uma recuperação em "V" nos próximos anos, ou seja, uma reação econômica tão rápida e intensa quanto foi a recessão nos últimos anos.
Candidatos e as reformas
Lisa considerou que há um desafio sobre como os candidatos à Presidência da República vão focalizar as reformas fiscais. "Há cenário de que pode haver pouca evolução de reformas fiscais após eleições", disse a diretora, em teleconferência com jornalistas. "Vamos ver ao longo do tempo se o próximo governo avançará em reformas estruturais", acrescentou.
Para Lisa, o Brasil deve apresentar, nos próximos anos, média de crescimento econômico menor que a de seus pares. "Componentes fiscais do Brasil são extremamente fracos", pontuou. "Se houver melhora da área fiscal ao longo do tempo poderá ser positivo para o Brasil", afirmou.
Teto de gastos
Uma eventual aprovação da reforma da Previdência Social no decorrer deste ano pelo Congresso não altera a expectativa da S&P Global Ratins para a evolução das condições fiscais do Brasil para este ano, comentou Lisa. "Persistentes atrasos da reforma mostram um padrão de progresso lento desta questão", disse.
Na avaliação de Lisa, "é difícil a evolução do cenário de reformas no Congresso, mesmo com empenho do governo Temer". Ela também ressaltou que "será difícil" cumprir o teto de gastos pelo Poder Executivo nos próximos anos "sem mudanças estruturais fiscais", entre elas a reforma da Previdência Social.
Expectativas de inflação
Segundo Lisa, o Banco Central executa de forma sólida a política monetária e está sendo bem sucedido na ancoragem das expectativas de inflação, num contexto no qual o IPCA ficou abaixo da meta em 2017, comentou Lisa.
"O Banco Central reconquistou credibilidade junto ao mercado. A gestão da política monetária é uma força comparativa do Brasil".


