SP também recebeu animais suspeitos
O Paraná não foi o único Estado brasileiro a receber bovinos de municípios do Mato Grosso do Sul (MS), onde foram confirmados vários focos de febre aftosa. O Estado de São Paulo, o maior comprador de animais do MS, recebeu bois também da exposição Eurozebu (realizada em Londrina no início de outubro e que teve a participação de bovinos trazidos de Eldorado (MS), onde foram registrados os primeiros focos de aftosa) mas, nem por isso, foi feita a vinculação epidemiológica entre SP e MS.
Os bovinos que hoje estão em fazendas espalhadas por São Paulo não foram submetidos sequer a qualquer exame sorológico. A informação é da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Segundo Gabriel Alves Maciel, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os procedimentos diversos do órgão com relação aos dois Estados ocorreram porque não foram constatados sinais clínicos no rebanho paulista.
''Desde o começo quem falou que tinha aftosa no Paraná foi a Seab (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento), não foi o Ministério'', afirma Maciel. No entanto, nem o CDA, o Mapa e a assessoria de imprensa da Secretaria de Agricultura do MS souberam informar quantos bovinos oriundos do Mato Grosso do Sul teriam entrado em São Paulo de agosto ao início de outubro. Segundo Vladimir de Souza Nogueira Filho, veterinário do CDA, cerca de 200 animais saíram dos cinco municípios do MS (onde foram confirmados focos da doença) entre agosto e setembro.
Ele afirmou que todos os animais que entraram em SP foram rastreados e que já tinham sido ''abatidos comercialmente''. Conforme a nota técnica São Paulo, número 4, de 31 de outubro, 2.069 animais (entre bovinos, suínos, ovinos e caprinos) oriundos do Paraná foram levados a São Paulo em setembro e outubro. A nota ainda afirma que não foram constatados ''sinais clínicos sugestivos de enfermidade vesicular''. No entanto, conforme a Folha apurou, nesse grupo estão bovinos considerados de elite, pertencentes a grandes criadores paulistas.
Inclusive, 37 bois da raça limousin participaram da Eurozebu, em Londrina. Outros seis animais nelore PO estavam na Feira Agropecuária de Toledo (Oeste do Paraná), que ficou interditada por várias dias. O trânsito de animais entre o Mato Grosso do Sul e o Paraná despertou o interesse da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal. Segundo o deputado federal Abelardo Lupion (PFL) foi solicitado à Secretaria de Estado do MS, no mês passado, uma relação com o número de bovinos que foram enviados a São Paulo.
No entanto, essa lista ainda não foi enviada e a expectativa é que esse documento seja remetido à Comissão nesta semana, quando os trabalhos serão retomados no Congresso.
Sinais clínicos - Segundo o professor Amauri Alfieri, doutor em Virologia, houve erro de diagnóstico no rebanho paranaense por parte dos técnicos da Seab. Segundo ele, a secretaria paranaense, inclusive, teria admitido esse erro durante audiência pública realizada no mês passado em Brasília. ''O Ministério (Mapa) é que não quer voltar atrás nesse diagnóstico e não quer considerar a ocorrência de outras doenças vesiculares, que é o caso dos animais do Paraná'', afirma.
A reportagem procurou a Seab para comentar o assunto mas, segundo a assessoria de imprensa, todos os técnicos estavam ocupados e não falariam a respeito do assunto.(F.M.)





