SP não investiga 'fraude' da AES
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quinta-feira, 22 de maio de 2003
Agência Folha 
São Paulo O governo do estado de São Paulo (SP) não pretende adotar nenhuma medida legal contra a americana AES, atual controladora da Eletropaulo, que segundo matéria veiculada pelo jornal ''Financial Times'', teria feito um acordo com a Enron para que ela desistisse de concorrer ao leilão de privatização da empresa, realizado em 1998.
O suposto conluio teria permitido que a Light arrematasse a maior distribuidora de energia do continente pelo seu preço mínimo, de US$ 1,78 bilhão. A Light, na época, tinha como controladores a AES, a Eletricité de France (EDF), a Houston Industries e a CSN.
Segundo o secretário de Minas e Energia do Estado, Mauro Arce, ''embora a atitude que teriam tomado as empresas seja moralmente condenável, legalmente, não há nada que se possa fazer nesse caso''. Na época em que a Eletropaulo foi privatizada o coordenador do Programa Estadual de Privatização era o atual governador, Geraldo Alckmin. Procurado ontem, o governador informou, por meio de sua assessoria, que não irá se pronunciar.
Nos EUA, a denúncia provocou impacto. A SEC (a comissão de valores mobiliários americana) poderá investigar o caso. Segundo um funcionário da SEC, normalmente em episódios como esse, a comissão pode abrir ''procedimentos administrativos'' para investigar irregularidades.
De acordo com a denúncia, os executivos que representavam a AES no Brasil, Oscar Prieto e David Travesso, teriam sido os autores da proposta à Enron para que ela desistisse do leilão de privatização. Em troca, a AES - que dizia atuar em nome da Light - se comprometia a construir, junto com a Enron, uma geradora termoelétrica à qual garantiria o fornecimento de gás a preços lucrativos.
O acerto teria sido fechado horas antes do leilão. Também a VBC, consórcio formado pela Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa, desistiu na última hora. Marcelo Corrêa, presidente da VBC, não quis comentar o caso. Oscar Prieto, atual presidente da Comgás, não se manifestou sobre a denúncia. David Travesso, hoje consultor de empresas, em nota oficial afirma que ''não firmou nem aprovou qualquer acordo entre a Light, a AES e terceiros''. Joe Brandt, porta-voz da AES, diz que a companhia ''está analisando as alegações em relação à questão''.


