Nos últimos quatro anos o Estado de São Paulo, que detém 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, captou investimentos da ordem de U$S 70 bilhões, sendo que dois terços desse montante foram canalizados para o interior. A distribuição destes investimentos só foi possível em virtude de uma rede de ensino e de produção de tecnologia implantada em várias regiões do Estado, que começou a ser desenvolvida na década de 60. Atualmente o interior paulista tem uma participação equivalente à capital no PIB estadual (metade cada um), segundo estimativa do Secretário da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Flávio Fava de Moraes.
‘‘Existe uma tendência do interior ultrapassar a capital muito rapidamente; a curva hoje é mais veloz para as cidades interioranas’’, disse Fava de Moraes à Folha. Ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP), Fava de Moraes afirma que a implantação dos centros de pesquisas e de produção tecnológica foram defitivos para provocar esta mudança no gráfico que mostra o desempenho das várias regiões do Estado. Hoje o interior paulista conta também com infra-estrutura igualmente desenvolvida.
‘‘Acreditamos que este desenvolvimento, que contempla infra-estrutura e capital humano, tem sido bastante sedutor para os novos investimentos’’, afirma o secretário. São Paulo conta hoje com 21 aeroportos distribuídos em todo o território. Uma infra-estrutura de estradas, telefonia e produção de energia acompanham, segundo Fava de Moraes, os pólos de tecnologia do interior.
O primeiro pólo implantado no Estado foi em São José dos Campos, sede do Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Embraer. A segunda unidade foi Campinas, onde fica a Universidade de Campinas (Unicamp), reconhecido centro de pesquisa e de formação de mão-de-obra especializada.
Posteriormente, foram implantados um campus avançado da USP e uma universidade federal, em São Carlos. Outra região que conta com um centro de ensino e pesquisa representativo é Ribeirão Preto, onde existe uma unidade da USP, com vários cursos ligados sobretudo à área de saúde. A cidade é hoje um dos importantes centros médicos do Estado.
Os resultados dessa descentralização, informa Fava de Moraes, são os próprios investimentos. Campinas, por exemplo, é atualmente um pólo de telecomunicações contando com as sedes da Motorola, Compact e Lucent.
Para o secretário, a descentralização da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico significa uma tendência nacional.

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