Curitiba - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou oficialmente ontem que está tomando medidas para flexibilizar a entrada de animais, produtos e subprodutos paranaenses no Estado. A Resolução 39, da Secretaria de Agricultura de São Paulo, reduz para um raio de dez quilômetros a área considerada como de risco no Paraná (abrangendo os municípios de Amaporã, Loanda, Maringá e Grande Rios). Com isto, a carne com osso e o trânsito de animais vivos de outros estados estariam liberados.
''As medidas anunciadas por São Paulo amenizam as perdas que estão sendo acumuladas nos últimos dias. Precisamos de maior flexibilização ainda. E a partir do Ministério da Agricultura. Mas já é um começo'', apontou Orlando Pessuti, governador em exercício do Paraná. A resolução permite ainda a entrada do leite cru em São Paulo desde que o produto seja resfriado, lacrado e contenha o atestado de origem e sanidade do governo do Paraná. O setor leiteiro tem sido um dos mais atingidos pelas barreiras e restrições impostas ao Paraná por conta das suspeitas de aftosa.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Leite do Estado (Sindileite), Wilson Tirse, não sabe contabilizar os prejuízos mas garante que muitos produtores estão desesperados. Cerca de 50% da produção leiteira e de derivados era comercializada em outros estados brasileiros. O superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Ronei Volpi, fez ontem um apelo político para que os governos federal e estadual agilizem recursos do Ministério da Agricultura para socorrer os produtores dos quatro municípios paranaenses mais prejudicados com as interdições.
''O Paraná foi ético e fez sua parte de alertar de supostos focos de aftosa. Como prêmio ganhamos a guerra sanitária. O País confundiu a restrição sanitária com a retaliação. Precisamos fazer algo urgente. E as atitudes passam pela indenização dos produtores de leite e a flexibilização da venda do leite cru da Bacia de Castro, que está sofrendo com a retaliação comercial'', ponderou.(L.P.)

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