Arquivo FolhaO governador de São Paulo, Mário Covas: expectativa de bom ágioO governo de São Paulo deverá arrecadar pelo menos R$ 3,2 bilhões no dia 15 de abril, com a venda de três empresas criadas a partir da divisão da Eletropaulo. A concessionária abastece a região metropolitana da capital paulista e vende um volume de energia equivalente ao consumo da Argentina.
O valor total das três subdivisões da Eletropaulo que serão leiloadas foi calculado em R$ 10 bilhões. O governo vai vender 74,8% do total das ações ordinárias, que correspondem a 29,8% do capital total. As demais ações ordinárias serão ofertadas com deságio para clubes de investimento dos funcionários, conforme determina a lei das privatizações. A Eletropaulo é a maior distribuidora de energia do País e teve um lucro de R$ 83 milhões no ano passado. O faturamento da empresa foi de R$ 6,4 bilhões.
O leilão de privatização será na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A escolha dos vencedores do leilão de concessão por 30 anos será feita com base nas propostas encaminhadas em envelopes fechados na abertura do leilão. O critério será o da melhor oferta financeira. O pagamento deverá ser feito à vista dez dias após o leilão e 30% do valor poderá ser pago com ações da Companhia Paulista de Ativos (CPA). Nesse caso, o dinheiro vai abater dívidas do Estado. O restante do dinheiro vai para o Tesouro, mas cerca de R$ 1 bilhão (9% do capital total) já está comprometido como pagamento de dívidas renegociadas do governo do Estado para com o governo federal. As ações da Eletropaulo foram dadas em garantia da dívida. ‘‘O dinheiro vai ser até insuficiente para pagar todas as dívidas’’, comentou o secretário do Planejamento de São Paulo, André Franco Montoro Filho.
Ágio Ao anunciar o preço mínimo, o governador Mário Covas evitou falar sobre a estimativa de ágio no leilão. ‘‘Espero que seja o maior possível’’, disse. Nas 12 companhias elétricas já privatizadas no País, o ágio médio foi de 64%.
A parte da Eletropaulo que desperta maior interesse dos investidores é a que compõe a Empresa Metropolitana de energia, responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo. O preço mínimo da empresa foi fixado em R$ 2,026 bilhões. A Empresa Bandeirantes de Energia, que atende a região a oeste da capital e Vale do Paraíba será vendida por R$ 1,014 bilhão. A Empresa Paulista de Transmissão de Energia terá 36,69% das ações vendidas e permanecerá sob controle do Estado. O preço mínimo de venda é de R$ 940,4 milhões. A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) não será privatizada pois inclui usinas com restrições ambientais, como a Henry Borden, de Cubatão.
O anúncio do preço de venda foi feito enquanto a Eletropaulo ainda lutava para restabelecer a energia no centro de São Paulo, após as chuvas de anteontem. ‘‘A Eletropaulo é uma empresa problemática, com uma rede antiga, e a privatização vai assegurar os investimentos necessários para a melhoria da qualidade dos serviços’’, afirmou o secretário de Energia de São Paulo, Andrea Matarazzo.

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