SP é maior cliente do pólo moveleiro
Guto Rocha
De Londrina
A guerra fiscal que o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), ameaça deflagrar contra outros estados da nação pode atingir em cheio o pólo moveleiro do Norte do Paraná. Segundo o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima), José Roberto Pontalti, é cedo para avaliar o impacto da medida. Ainda não temos informações muito claras sobre o que o governador paulista está planejando, por isso não podemos fazer qualquer previsão, afirmou.
No entanto, Pontalti disse que no caso de as medidas provocarem redução das vendas das indústrias moveleiras, o resultado será desastroso. O diretor do Sima disse que o estado de São Paulo é o principal comprador das indústrias do pólo moveleiro, sendo responsável por 1/3 do volume negociado. Dos R$ 600 milhões comercializados no ano passado pelas indústrias, São Paulo foi responsável por R$ 200 milhões, afirmou. O pólo moveleiro do Norte é o maior do Paraná, com um total de 600 indústrias e 11 mil pessoas empregadas.
Por outro lado, Pontalti disse que os efeitos da guerra fiscal também podem atingir São Paulo. O diretor do Sima observou que a mais penalizada poderá ser a indústria madeireira paulista por ser responsável por 70% do abastecimento da matéria-prima utilizada pelas indústrias do pólo moveleiro do Norte do Paraná. Esta guerra não vai beneficiar ninguém, só trará prejuízos, afirma.
O comércio paulista também pode ser outro setor prejudicado pelas medidas do governo daquele Estado. A produção de móveis da indústria paulista é insuficiente para atender a demanda, e as lojas são obrigadas a se abastecer por aqui, observa.
O diretor do Sima lembrou que no ano passado o setor também foi ameaçado por medidas adotadas pelo governador paulista. Um decreto de Covas obrigou as empresas que utilizam o imposto conhecido com Simples a se abastecer com 70% dos produtos industrializados em São Paulo. Mas a medida acabou revogada, comentou o diretor da entidade.





