SP dispara na escalada do desemprego
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sábado, 02 de maio de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaVagas rarasApesar de fazer concessões quanto à jornada de trabalho e salários, trabalhador encontra cada vez mais dificuldades para conseguir colocação, segundo pesquisa do IBGE Um mercado cansado, que está impondo aos seus trabalhadores sacrifícios inclusive de redução de renda e uma crescente dificuldade de encontrar emprego. Assim pode ser definida a região metropolitana de São Paulo, a maior do País, com uma População Economicamente Ativa (PEA) de 7,6 milhões de pessoas, em confronto com a do Rio de Janeiro, segunda maior, com 4,3 milhões. A taxa média de desemprego em São Paulo cresceu 20% em relação a 1991, enquanto que no Rio o aumento foi de 2,8%. Um dos sinais de que a situação está mesmo muito dura em São Paulo é o fato de 2,3 milhões de jovens de 15 a 17 anos ou trabalharem, ou estarem buscando emprego com afinco. Eles representam 31% da PEA urbana de São Paulo. No Rio, este percentual situa-se em 15,1%. A metade, portanto.
E nem estudar muito garante aos paulistanos melhores chances de conseguir ocupação: o desemprego para os que têm 12 anos ou mais de estudo no primeiro bimestre de 98 alcançou 10%. No Rio, 3,6%. Estes dados foram extraídos da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pela Secretaria Especial de Trabalho do Rio de Janeiro.
O exame dos números mostra que a São Paulo urbana parece ter sido apanhada por uma maré de dificuldades. Além de estar sofrendo com a relocalização de indústrias, que são o carro-chefe da economia da região, a PEA local cresceu nada menos do que 11,7% em relação a 1991, o que representou o ingresso de mais 720 mil pessoas no contingente dos que trabalham ou procuram emprego ativamente. O Rio, contudo, teve de arcar com uma pressão muito menor, já que a expansão da PEA carioca ficou em 2,5% no mesmo período, ou um adicional de cerca de 140 mil pessoas.
O secretário Especial de Trabalho do Rio de Janeiro, André Urani, um técnico respeitado que a Prefeitura da cidade buscou no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), diz que uma expansão tão grande da PEA em São Paulo deve-se ao aumento no número de pessoas em idade ativa, isto é, acima de 15 anos de idade, muito superior à do Rio, em decorrência de vários fatores. Mesmo que hoje a chegada de imigrantes já não abarrote a capital paulistana e sua periferia como antes, ainda assim São Paulo ainda atrai muita gente de fora, inclusive do interior do próprio Estado. Depois, os filhos dos imigrantes que chegavam em massa à cidade, há duas décadas, entraram na idade de perseguir uma ocupação.
Também parece haver uma disposição maior pela busca de ocupação em São Paulo, tanto que a participação da PEA no contingente de pessoas em idade ativa foi de 61% em São Paulo, em 97, ao passo que no Rio não superou os 55%. Observe-se, contudo, que nos dois casos ingressar na PEA ficou bem mais difícil em comparação com o início dos anos 90, conforme evidenciam os dados: em São Paulo, a participação ia a 63,7 em 91, e no Rio, a 57,5%.
Há ainda um dado que vem passando despercebido nas estatísticas do IBGE, mas que está merecendo um aprofundamento de análise, segundo Urani. Trata-se da situação dos jovens de 15 a 17 das duas regiões metropolitanas. A enorme diferença na participação deles na PEA de uma região para a outra - a de São Paulo é o dobro - ainda carece de explicações mais completas. Tudo o que se pode fazer ao olhar estes números, diz Urani, são algumas especulações. Uma das mais óbvias prende-se à taxa de desemprego entre os chefes de família, de 4,2% em São Paulo, quase o dobro da verificada no Rio (2,4%), confirmada na faixa etária de 25 a 49 anos, no primeiro bimestre de 98 e que foi de 4,2% para os cariocas e de 6,7% para os paulistanos. Com os pais desempregados, muitos adolescentes devem estar sendo empurrados para o mercado de trabalho, na tentativa de ajudar no orçamento doméstico, diz ele.
Existe ainda uma outra razão que se pode especular, esta mais sociológica e muito pessoal da parte de Urani. De acordo com ele, o lazer em São Paulo se dá basicamente nos shoppings, que arrastam ao consumo - e para conseguir consumir alguma coisa, o adolescente corre atrás de trabalho. O Rio, porém, oferece lazer de graça e variado.


