Seringalistas, representantes das usinas de beneficiamento de látex, da indústria pneumática e de artefatos de borracha, reunidos ontem em Barretos, esperam que dentro de dois anos ou no máximo três haja melhora na cotação da borracha natural no mercado internacional. Hoje, o produtor nacional recebe da usina R$ 1,23 por quilo da borracha seca, incluindo a subvenção do governo, que é de R$ 0,58. A expectativa é a elevação do preço da borracha no mercado internacional, hoje em R$ 0,72 o quilo, para cerca de R$ 1,00 no prazo de um ano.
‘‘Os preços internacionais nunca estiveram tão baixos’’, disse o presidente da Comissão Nacional da Borracha Natural da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Almeida Sampaio Filho, no 1º Ciclo de Palestras sobre a Heveicultura Paulista, iniciado ontem. ‘‘O produtor do Sudeste Asiático extrai o látex apenas para sobreviver e, persistindo essa situação ele vai abandonar a cultura’’, afirmou. O subsídio do governo ao produtor brasileiro, mesmo com a elevação nos preços internacionais, terá de ser mantido, segundo Sampaio. O Brasil produz 65 mil toneladas de borracha e consome cerca de 160 mil toneladas/ano.
O presidente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), Gerardo Tommazini, declarou que a demanda de borracha natural está aumentando com a radialização dos pneus. ‘‘Os radiais requerem o dobro dessa borracha na sua composição’’, explicou. Em 1980, a indústria de pneus no consumia 81.046 toneladas de borracha natural e 206.258 toneladas de borracha sintética; no ano passado, 140.181 toneladas de borracha natural e 204.187 da sintética.

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