São Paulo - A agência de classificação de risco Standard & Poors’s confirmou o temor do governo brasileiro ao anunciar ontem que colocou a nota do Brasil em perspectiva negativa. Na escala da agência, o Brasil está no limite do grau de investimento, mas a perspectiva deixou de ser neutra. Com isso, a agência sinaliza que o País poderá passar a ter grau especulativo, o que forçaria uma alta dos juros brasileiros, no entendimento do governo.
Na semana passada, o governo reduziu a meta de superavit primário de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) para 0,15%. A S&P não fez referência à medida, mas o governo já temia o possível rebaixamento de sua classificação. Em nota, a agência afirmou que investigações de corrupção caindo sobre políticos e empresas tem tido peso cada vez maior na perspectiva fiscal e econômica do Brasil, colocando em risco a implementação da política econômica, particularmente no Congresso.
Segundo a agência, o Brasil enfrenta desafios políticos e circunstâncias econômicas, apesar das mudanças feitas pela presidente Dilma Rousseff em seu segundo mandato.
Para a Moody’s, o rating do Brasil é Baa2, com perspectiva negativa, dois degraus acima do grau especulativo. Para a Fitch, o rating do Brasil é BBB, com perspectiva negativa, e também dois degraus acima do grau especulativo.

Avaliação

A Standard & Poor’s avalia que os riscos para o rebaixamento da nota de crédito do Brasil aumentaram desde a última revisão do rating, anunciada em 23 de março. "Nós revisamos a perspectiva para negativa porque acreditamos que, apesar das mudanças de política atualmente em curso, que continuamos a acreditar que têm o apoio da presidente, os riscos para sua execução subiram. Em nossa visão, esses riscos derivam das frentes política e econômica", diz a agência.
Segundo a S&P, as investigações em curso do esquema de corrupção na Petrobras contra pessoas físicas e jurídicas de alto perfil - tanto do setor público quanto privado - levou a um aumento da incerteza política no curto prazo. "Estas investigações independentes são uma prova da estrutura institucional no Brasil, o que contrasta com a de outras economias emergentes", pondera a agência.
A S&P também vê, no curto prazo, uma diminuição da coesão política no Congresso, o que pode causar um risco material para um eventual rebaixamento por causa da possibilidade de gerar "políticas ineficazes".
A agência lembra ainda que a dinâmica complexa entre o PT e o PMDB, que havia diminuído sob a coordenação política do vice-presidente Michel Temer, reapareceu. "Isso gera a perspectiva de apoio no Congresso um pouco menos consistente para aprovar as medidas necessárias de ajuste fiscal, até mesmo um pouco diluído, em comparação com o que já tínhamos observado e esperado no início deste ano", afirma.
A S&P destaca ainda os desafios enfrentados pela presidente Dilma Rousseff para angariar apoio para a "correção de rumo na política" e uma "reviravolta na economia". A agência diz ainda que não trabalha com um cenário base de impeachment de Dilma.

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