Brasília - O governo central (que inclui Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central)apresentou superávit primário de R$ 3,092 bilhões em maio, ante R$ 3,7 bilhões em maio de 2004. O superávit primário do Tesouro Nacional foi de R$ 5,452 bilhões, enquanto a Previdência Social teve déficit de R$ 2,343 bilhões. O Banco Central também apresentou déficit - de R$ 16,8 milhões. No acumulado do ano (janeiro a maio), o superávit primário do governo central somou R$ 33,696 bilhões, o que corresponde a 4,40% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,19% em igual período do ano passado e 5,02% de janeiro até abril deste ano.
As receitas do Tesouro em maio caíram 15,9% em relação a abril por causa da concentração da arrecadação do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de royalties nos últimos dez dias de abril. Ao mesmo tempo, as transferências a Estados e municípios aumentaram 21,9%. Houve também aumento nas despesas com seguro-desemprego e abono salarial por causa do reajuste do salário mínimo em maio.
Os números mostram que, apesar do recuo, a economia do governo federal para pagar juros e tentar reduzir sua dívida ainda está bem acima da meta fiscal para o ano todo, que é de 2,38% do PIB para o governo federal, sem contar os resultados das estatais. O superávit obtido é maior até do que a meta fiscal para o setor público como um todo, o que inclui as contas de Estados, municípios e das empresas de todos os níveis da Federação, que é de 4,25% do PIB.
''A execução fiscal do governo é compatível com seus compromissos'', disse o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. Acostumado a ouvir críticas tanto dos que defendem a redução do superávit primário quando do que pedem seu aumento, Levy, diplomático, tentou agradar a gregos e troianos em entrevista ontem. Disse concordar ''inteiramente'' com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que na terça-feira criticou os resultados primários superiores às metas. ''Acho que a ministra tem toda a razão'', disse. ''Não precisamos ter superávit de 6% ou 8% do PIB'', afirmou o secretário, alterando levemente o sentido das declarações da ministra.
Levy reafirmou que a tendência é o governo gastar mais a partir do segundo quadrimestre e, por isso, poupa-se mais no início do ano para garantir o cumprimento da meta porque os gastos ao longo do ano são maiores. Respondendo aos economistas que pedem maior superávit primário, Levy reafirmou que os gastos fiscais não estão pressionando a demanda. Ele explicou que o superávit primário diminuiu porque ''abril foi um mês atípico''.

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