Souza Cruz incentiva milho e feijão
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terça-feira, 10 de dezembro de 1996
Elvira Fantin<br> Sucursal de Curitiba 
A Souza Cruz e a Secretaria da Agricultura lançaram ontem, em Curitiba, a segunda etapa do programa Plante Milho e Feijão Após o Fumo. O programa, que começou no ano passado no Paraná, tem o objetivo de incentivar o plantio de uma lavoura intercalada ao fumo para aumentar a renda do fumicultor. A Souza Cruz estima que o plantio de milho ou feijão após a colheita do fumo pode aumentar em 10% a renda da propriedade.
Uma estufa processa 4,1 mil quilos de fumo por safra, garantindo uma renda líquida ao fumicultor de aproximadamente R$ 7 mil. A venda da produção de fumo ou feijão cultivados após o fumo garante uma renda de R$ 700 a R$ 800 mil, informa Juarez Kothe, gerente de produção agrícola da Souza Cruz.
Segundo Kothe, no primeiro ano do programa no Paraná, a adesão foi de 50% com a participação de 10,7 mil produtores dos 20 mil integrados à Souza Cruz. Eles plantaram 7,8 mil ha de milho e 2,9 mil ha de feijão, o que rendeu uma produção de 33,7 mil toneladas entre as duas lavouras. No milho, os agricultores obtiveram uma produtividade média de 3.050 quilos por hectare e no feijão o rendimento foi de 948 quilos por hectare. A produtividade é considerada boa principalmente se levarmos em conta que o agricultor praticamente não tem custos com esta segunda lavoura porque ele aproveita a adubação residual do fumo, destaca Kothe.
Para o secretário da Agricultura, Hermas Brandão, o plantio de milho e feijão após o fumo além de garantir uma renda a mais para o agricultor protege o solo porque mantém a terra ocupada durante todo o ano evitando a erosão. Segundo Brandão, a participação da Secretaria da Agricultura na parceria é garantir assistência técnica, através da Emater, e pesquisa, através do Iapar.
A safra de fumo que está começando a ser colhida deve render este ano 65 mil toneladas em 35 mil ha. O valor bruto da produção deve chegar a R$ 120 milhões, uma receita líquida de R$ 100 milhões.
O programa Plante Milho e Feijão Após o Fumo está no sétimo ano em Santa Catarina e no terceiro ano no Rio Grande do Sul. Nos três Estados do Sul, a Souza Cruz mantém cerca de 70 mil fumicultores integrados que cultivam 180 mil hectares e produzem 200 mil toneladas. A produção total representa um faturamento de R$ 400 milhões e uma receita líquida em torno de R$ 320 milhões. A empresa é líder na produção e na comercialização de fumo e de cigarros no Brasil. Sozinha, responde por 45% da produção de fumo do Brasil e por 83% do mercado doméstico de cigarros.


