A primeira sorveteria a colocar carrinhos na rua no Brasil foi a Kibon, por volta da década de 40. De lá para cá, muitas empresas seguiram o exemplo e, hoje, esse tipo de venda mostra resistência como mais uma alternativa para permanecer no mercado. Nos bairros, a garotada é seduzida pelo som da gaita, que anuncia a passagem do sorveteiro. É claro que as boas vendas dependem também de fatores da natureza: se está calor, lucro na certa. Em caso de frio, chuva ou vento o rendimento cai um pouco. Mesmo assim, muitos vendedores saem diariamente com seus carrinhos de sorvete pelas ruas de Londrina, percorrendo em média 15 quilômetros.
De acordo com o gerente de operações da Sávio Sorvetes, Reginaldo Luiz Barbieri, a venda de sorvetes em carrinhos não é tão rentável quanto a comercialização na própria sorveteria. Porém, o efeito de marketing é incalculável. ''Nossa marca está rodando o tempo todo pelas ruas da cidade, isso é impactante'', pontuou Barbieri. A idéia de ir ao encontro do consumidor, também consiste em outro ponto forte nesse tipo de venda, na opinião dele.
Ele explicou que atualmente saem em média 12 carrinhos diariamente. O serviço começou junto com a inauguração da sorveteria há 30 anos, foi extinto por um tempo e retomado em 1998. Segundo Barbieri, os carrinheiros precisam fazer um cadastro e ter uma inscrição na prefeitura como ambulante, para ter uma relação de trabalho dentro da lei com a empresa.
O lucro diário varia mas sempre dá para ganhar ''um dinheiro'', afirmam os carrinheiros. Alguns deles, no ramo há mais de 20 anos, faturam de R$ 30 a R$ 40. ''Emprego tem pouco, então essa foi a saída que sempre encontrei para ganhar um dinheiro'', disse Roberto Francisco de Jesus, 65 anos, há 15 anos vendedor de sorvete.
Quase todos os dias - com exceção dos chuvosos ou de muito frio - ele passa na sorveteria por volta das 10 horas, pega o carrinho e só retorna ao final da tarde. ''É um trabalho cansativo, nem sei quantos quilômetros ando diariamente, mas dá para ter lucro. Além disso, é bom saber que existem pessoas que ficam me esperando passar para comprar sorvete'', afirmou o carrinheiro. Segundo ele, em dias de pequeno lucro dá para ganhar uns R$ 30. ''Só vou parar quando não aguentar mais'', destacou.
Para Florinda Soares Luvizotto, sócia-proprietária da sorveteria Espumoni esse tipo de venda ainda traz lucro à empresa.''A gente ainda percebe que as pessoas gostam, principalmente as crianças'', diz. Segundo ela, em 1977 quando a empresa começou a funcionar, saíam diariamente 25 vendedores de sorvete de carrinho. Hoje, não passa de 15. Mesmo com a redução, essa venda ainda é vantajosa. ''Eles saem com uns 80 picolés dentro do carrinho, 50% da venda fica pra eles. Então o que render é lucro para eles e para nós'', frisou.

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